O primeiro-ministro alemão, Friedrich Merz, nomeou nesta sexta-feira a ministra da Saúde, Nina Warken, como sua nova chefe de gabinete, em uma reforma destinada a dar novo impulso a seu impopular governo antes de difíceis eleições estaduais em setembro.
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Merz também disse que haverá mais mudanças. Duas fontes a par do assunto afirmaram que ele pretende substituir o ministro dos Transportes, Patrick Schnieder, mas a mudança levará mais tempo porque o escolhido de Merz desistiu depois de inicialmente aceitar o cargo.
Warken será a primeira mulher a ocupar o novo posto, uma função importante que atua como elo entre o gabinete do premiê, os ministérios e os parlamentares em um momento em que Merz tenta promover reformas para reanimar a maior economia da Europa.
A reorganização ocorre após a renúncia abrupta de Jens Spahn, uma figura de peso do campo conservador, à liderança da bancada parlamentar, em meio a uma polêmica por sua decisão de ter um filho por meio de barriga de aluguel, apesar da forte oposição de seu partido à prática.
Merz está sob pressão para apresentar resultados após um primeiro ano difícil no cargo. Ele aparece atrás da Alternativa para a Alemanha (AfD), de extrema direita, nas pesquisas de opinião e enfrenta a possibilidade de o partido conquistar o poder pela primeira vez em nível estadual nas eleições de setembro.
O crescimento econômico tem dificuldade para ganhar força, enquanto a economia alemã, tradicionalmente impulsionada pelas exportações, enfrenta a ameaça do aumento dos custos internos e da concorrência no exterior. As turbulências tarifárias globais e o choque energético provocado pela guerra no Irã também prejudicam a expansão.
“Somos um governo voltado para reformas e pretendemos continuar demonstrando isso”, disse Merz a jornalistas em Berlim, prometendo começar a trabalhar “a todo vapor” quando o Parlamento retomar as atividades após o recesso de verão.
Merz havia escolhido Warken, de 47 anos, para comandar reformas na saúde destinadas a conter a disparada dos custos do setor, tarefa que agora ficará a cargo de outro nome de peso do partido, Carsten Linnemann.
Warken é “assertiva e muito familiarizada com a política de segurança” e “uma negociadora dura”, disse Merz.
A possível substituição de Schnieder, que também é discutida, ocorreria em meio à frustração com a situação da rede ferroviária alemã e à deterioração da infraestrutura, disseram duas fontes, em um momento em que os atrasos de trens se tornaram tema recorrente de conversa no país.
O analista político Oliver Lembcke afirmou que Merz, de 70 anos, tenta projetar força ao mesmo tempo em que busca dar ao governo e ao partido uma imagem mais jovem e com maior presença feminina.
“Mas ele precisa tomar cuidado para não conduzir mal o processo”, acrescentou, afirmando que Merz deve evitar prolongar demais a reforma. “Quem demonstra hesitação aqui perde rapidamente autoridade, e o primeiro-ministro não pode se dar ao luxo de sofrer uma nova perda de autoridade”, disse.
O sindicato dos maquinistas alertou contra a tentativa de responsabilizar uma única pessoa pelos problemas da rede ferroviária, afirmando que os formuladores de políticas deixaram durante anos de estabelecer metas claras, diretrizes vinculantes ou uma gestão consistente.
“A Alemanha não precisa de novas reformas políticas, mas de determinação, conhecimento técnico e confiabilidade”, afirmou.
O atual chefe de gabinete de Merz, Thorsten Frei, substituirá Spahn como líder da bancada parlamentar da CDU/CSU, aliança formada pela União Democrata Cristã (CDU), partido de Merz que atua em toda a Alemanha, exceto na Baviera, e pela União Social Cristã (CSU), sua sigla-irmã, que atua apenas no Estado bávaro.
Merz disse que fará novas mudanças em seu gabinete, mas não deu mais detalhes, acrescentando que elas levarão mais tempo.
A popularidade de Merz está em seu nível mais baixo, segundo uma pesquisa RTL/ntv Trendbarometer divulgada nesta semana, com apenas 14% dos entrevistados satisfeitos com seu desempenho, contra 85% insatisfeitos.
A AfD lidera as pesquisas nacionais com 26%, à frente dos conservadores, com 22%, antes das eleições de setembro nos Estados do leste da Saxônia-Anhalt e de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, que o partido espera que ajudem a abrir caminho para um avanço em nível nacional.