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A empresa que vende a experiência de viver em Paris como um parisiense (milionário)

A empresa que vende a experiência de viver em Paris como um parisiense (milionário)

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Os viajantes de alta renda estão cada vez mais interessados em experiências personalizadas e conectadas ao estilo de vida local, em detrimento da sofisticação padronizada do luxo tradicional.

Em Paris, a Highstay se tornou símbolo dessa tendência ao oferecer apartamentos de alto padrão em endereços emblemáticos da cidade, permitindo ao hóspede viver como um morador local, sem abrir mão dos serviços da alta hotelaria.

Fundada em 2020, a empresa opera 86 unidades em bairros como Saint-Germain-des-Prés, Le Marais e o Triângulo de Ouro, com diárias que variam de € 350 a mais de € 2 mil.

O modelo combina serviços de concierge, limpeza diária e amenities premium com experiências sob demanda, como chefs e motoristas privados.

A Highstay enfrenta um mercado regulado e sensível, marcado por restrições à conversão de imóveis e pela crise habitacional europeia.

Além de expandir para estadias longas, a empresa já ultrapassou os limites de Paris e hoje conta com vilas em Saint-Tropez e Ibiza, e mira um público global em busca de viver os destinos como se fosse um morador local — mesmo que temporariamente.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Paris — “Quando em Roma, faça como os romanos.” O conselho de Santo Ambrósio a Santo Agostinho no século IV atravessou os tempos como um lembrete simples sobre adaptação: entender os costumes locais é a melhor forma de pertencer a um lugar, ainda que temporariamente.

Agora, em uma era marcada pela sofisticação pasteurizada do turismo de luxo, a ideia ganha um novo significado. Mais do que visitar uma cidade, os viajantes de alto padrão querem vivê-la como quem realmente mora ali. E é justamente nessa lógica que a francesa Highstay construiu seu modelo de hospitalidade: apartamentos de design requintado em endereços emblemáticos, combinados a serviços premium. Afinal, quando em Paris, faça como os parisienses — milionários.

Os 86 apartamentos da marca estão espalhados por algumas das regiões mais requintadas e ricas culturalmente da capital francesa. Entre eles, bairros como os de Saint-Germain-des-Prés e Le Marais e áreas como as da Place Vendôme, da Champs-Élysées e do Louvre. O “art de vivre” parisiense, claro, tem seu preço.

Nas unidades menores da Highstay, as diárias partem de € 350 (pouco mais de R$ 3 mil), mas, em algumas propriedades maiores e mais exclusivas, ultrapassam € 2 mil (cerca de R$ 11,6 mil) a diária. Com 180 metros quadrados, três quartos, academia privada e terraço, o duplex Berri II, no chamado “Triângulo de Ouro”, por exemplo, não sai por menos de € 2,8 mil.

A Highstay replica práticas comuns da alta hotelaria. A equipe de hospitalidade da empresa foi recrutada em alguns dos mais prestigiados hotéis. Estão incluídos na diária serviços como concierge 24 horas e limpeza diária.

Entre os serviços adicionais estão experiências personalizadas, como visitas privadas a museus, tratamentos de bem-estar e atividades ligadas à cultura francesa, como uma aula de perfumaria. Tudo contratado separadamente e combinado via WhatsApp.

“O que nos diferencia é a sensação de viver Paris em vez de simplesmente se hospedar na cidade”, diz Michael Dayan, cofundador da Highstay, em entrevista ao NeoFeed.

“Muitos dos nossos clientes já estão habituados à hotelaria de luxo, mas hoje aspiram a uma experiência mais íntima e residencial, especialmente para estadias em família ou prolongadas”, complementa.

A empresa começou operando apartamentos individuais salpicados pela cidade. Mas a estratégia evoluiu e hoje a Highstay também compra e desenvolve edifícios inteiros, as chamadas Highstay Maisons.

Uma das mais recentes é a residência La Boétie, em uma área do 8º arrondissement onde se concentram alguns dos melhores restaurantes, galerias e boutiques de alta costura da cidade. O imóvel ainda está localizado em um edifício haussmanniano — o estilo arquitetônico do final do século XIX, típico da capital francesa.

Negócios complexos

Aliás, a história das construções é um dos critérios para a escolha dos apartamentos, ao lado da sintonia com o estilo de vida do bairro, explica Dayan. O charme importa, mas nunca em detrimento do conforto dos hóspedes. Todos os endereços da Highstay, por exemplo, estão em edifícios com elevador.

Pode parecer óbvio para hospedagens de alto padrão, mas, em se tratando de Paris, o elevador é quase um “artigo de luxo”. Grande parte dos prédios foi construída no século XIX e início do século XX, durante a grande reforma urbana liderada pelo Barão Georges-Eugène Haussmann, no governo de Napoleão III. Tipicamente, os edifícios parisienses são servidos por escadas íngremes, que parecem infindáveis.

Do terraço do triplex Berri III, o hóspede tem vista para os telhados de Paris, uma das paisagens mais emblemáticas da capital francesa (Foto: highstay.com)

Localizado em Saint-Germain-des-Prés, o apartamento Saint-Germain I ocupa o antigo escritório do estilista Karl Lagerfeld (Foto: Divulgação)

A residência La Boétie fica em um edifício haussmanniano — com elevador (Foto: highstay.com)

A companhia já opera fora de Paris, com duas vilas privativas em Saint-Tropez, na Côte d’Azur, no litoral sul francês, e esta, em Ibiza, no arquipélago espanhol das Ilhas Baleares (Foto: Divulgação)

“O que nos diferencia é a sensação de viver Paris em vez de simplesmente se hospedar na cidade”, diz Michael Dayan, cofundador da Highstay (Foto: Divulgação)

Apesar do glamour vintage, não é fácil sustentar um modelo de negócios baseado na exploração comercial de imóveis na cidade, devido às rígidas restrições regulatórias e patrimoniais. A preservação do patrimônio arquitetônico impõe limites às reformas e adaptações, tornando a operação mais complexa e onerosa.

Em Paris, em muitos casos, a transformação de imóveis residenciais em unidades de uso turístico ou comercial exige uma compensação pela perda de área habitacional na cidade — um mecanismo criado para preservar o estoque de moradias e limitar a conversão indiscriminada de apartamentos em hospedagem de curta duração.

Em meio à tensão crescente entre a crise habitacional nas grandes capitais europeias e a proliferação de plataformas como Airbnb e afins, empresas como a Highstay e suas concorrentes passam a atuar em um terreno regulatório e político particularmente sensível.

Hoje, a companhia é dona da maioria dos seus ativos. Mas tem também um braço de curadoria, com cerca de dez apartamentos operados por terceiros — propriedades que seguem o mesmo alto padrão de serviços e infraestrutura.

Entre elas, está o antigo escritório de Karl Lagerfeld (1933-2019), o diretor criativo da Chanel. Localizado no quartier de Saint-Germain-des-Prés, o espaço foi transformado em uma hospedagem de 250 metros quadrados, para quatro hóspedes, com diárias a partir de € 1,6 mil.

Estadias de longo prazo

Ao mesmo tempo em que mira a clientela de alta renda, a Highstay também tenta capturar uma outra parte do setor de hospedagem: a das estadias de longo prazo. A proposta surgiu como uma evolução natural do negócio, explica Dayan.

Esse modelo é operado há muito tempo pelas grandes redes hoteleiras. É só lembrar que Coco Chanel morou no Ritz Paris, Audrey Hepburn no Bürgenstock Resort Lake, na Suíça, e Bob Dylan no Chelsea Hotel, em Nova York.

A experiência é menos a de morar em um hotel, e mais a de ter um apartamento próprio em um bairro típico parisiense. Sem lidar com toda a burocracia que envolve a locação de uma moradia na capital francesa. Os valores saem a partir de € 6,5 mil mensais, para um apartamento de 45 metros quadrados perto da Champs-Élysées, com serviço de limpeza diário incluso.

A título de comparação, apartamentos mobiliados do mesmo tamanho no mesmo 8º arrondissement saem a partir de € 3 mil, em plataformas de aluguel tradicionais, como a SeLoger.

“A hospitalidade é um setor em constante evolução e sempre há espaço para melhorias, refinamento e inovação”, afirma Dayan. Outra evolução é a expansão da Highstay para além dos limites não só de Paris, como da França.

Atualmente, a companhia já opera duas vilas privativas em Saint-Tropez, na Côte d’Azur, no litoral sul francês, e em Ibiza, no arquipélago espanhol das Ilhas Baleares.

“Nossa prioridade continua sendo preservar o nível de exigência em serviço e experiência antes de acelerar internacionalmente”, diz o cofundador.

Quanto aos clientes, eles já são bastante internacionalizados, inclusive com uma demanda crescente do Brasil. Para atrair cada vez mais o público brasileiro para seus endereços na Europa, a Highstay tem uma executiva comercial in loco em São Paulo.

No mapa contemporâneo da hospitalidade de alto padrão, o privilégio não é apenas visitar o mundo, mas habitá-lo com naturalidade.



Ceará Agora e Diário do Nordeste

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