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Amiga de Lulinha mudou natureza da empresa pouco antes de ser alvo da PF

Amiga de Lulinha mudou natureza da empresa pouco antes de ser alvo da PF


Empresária Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula
Reprodução/Instagram – Roberta Luchsinger
A empresária Roberta Luchsinger, apontada pela Polícia Federal (PF) como suspeita de atuar como lobista junto ao governo federal, alterou sua empresa de consultoria no ano passado para uma Sociedade Anônima (SA), o que, na prática, dificulta a identificação do quadro societário. A mudança da RL Consultoria, segundo apurou o Valor, foi registrada em novembro de 2025 na Junta Comercial de São Paulo (Jucesp), cerca de um mês antes de ela ser alvo de buscas na Operação Sem Desconto, que investiga um esquema de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A empresa de Roberta está no centro das investigações da PF envolvendo o filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luís da Silva, conhecido como Lulinha. Os investigadores apontam que ele e Roberta tinham uma atuação voltada à “interlocução de interesses privados perante agentes e órgãos da administração pública federal”.
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A suspeita é que os dois atuavam em conjunto para fazer tráfico de influência junto a diferentes órgãos do Executivo e que estariam buscando formas de blindar patrimônio no exterior. Lulinha se mudou para a Espanha no início de 2025. A dupla nega as acusações. A defesa do filho do presidente também afirmou que ele “não tem qualquer relação direta ou indireta com a empresa” de Roberta.

A PF localizou no celular de Roberta mensagem de WhatsApp na qual ela afirmou que precisava “tirar o Fábio e a família do país” até junho do ano passado. Segundo o Valor apurou, a alteração na RL Consultoria ocorreu em junho, apesar de ter sido formalizada na Junta Comercial somente em novembro. Ao alterar a natureza da empresa, Roberta e seu pai, Roberto Pedro Paulo Luchsinger, registraram que a mudança tinha como objetivo “abrir filiais em solo estrangeiro”.

Criada em 2019, a empresa pertencia ao pai de Roberta e era administrada por ela. Inicialmente, foi registrada como “Empresa Individual de Responsabilidade Limitada”, tinha um capital social de R$ 99,8 mil e funcionava no mesmo endereço residencial do pai de Roberta, até junho de 2025.

Naquele mês, Roberta entrou oficialmente para o quadro de cotistas da empresa, com 1% de participação e o endereço da empresa passou a ser o apartamento da empresária, em São Paulo. No mesmo ato, a empresa foi transformada em uma sociedade anônima de capital fechado, isto é, sem participação na bolsa de valores.

“Os sócios por unanimidade aprovaram a alteração para permitir a abertura de empresas subsidiárias e filiais da Sociedade em solo estrangeiro”, diz a alteração de contrato social registrada no fim do ano passado na Junta Comercial.

Na prática, com a alteração, apenas os dados dos sócios que registraram a alteração ficariam públicos e acessíveis. Isto é, se depois da mudança da natureza da empresa Roberta ou seu pai tiverem vendido ações para outra pessoa entrar na sociedade, essa alteração não precisaria ser registrada na Junta Comercial e poderia ficar registrada apenas dentro da própria empresa.

“A grande diferença entre uma sociedade limitada e uma sociedade anônima, para fins desta questão de registro, é que as informações a respeito dos sócios de uma sociedade limitada ficam públicas no contrato social e suas respectivas alterações contratuais, que são arquivadas na Junta Comercial”, explica o advogado especialista em direito empresarial e professor do Uniceub, Henrique Arake.

“No caso das Sociedades Anônimas, as informações sobre os acionistas ficam no livro de registro de ações ordinárias nominativas, que fica guardado na sede da sociedade. Desse modo, a única forma de saber quem é o atual acionista (ou para quem a ação foi vendida) é, com autorização da Justiça, consultar esses livros que ficam sob custódia da diretoria, pois essas informações não são públicas”, segue o professor.

A RL Consultoria recebeu R$ 1,5 milhão do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS” e apontado como um dos principais articuladores do esquema de fraudes em desconto em folha de aposentados de aposentados e pensionistas. O valor seria para que Roberta atuasse a favor de um projeto de venda de medicamentos à base de canabidiol de uma empresa de Antunes para o Ministério da Saúde, mas o negócio não chegou a sair do papel.

Além dessa frente de investigação, chamou atenção da PF as trocas de mensagens que indicam que eles buscaram meios para “blindar” patrimônio no exterior. “Os investigados buscavam blindar os recursos que foram obtidos possivelmente em atividades ilícitas. Além disso, essas condutas que demonstram a intenção de blindar o capital obtido, podem indicar uma antecipação de eventuais medidas de constrição por parte das autoridades”, diz relatório da corporação.

Procurada, a defesa de Roberta não se manifestou, mas tem negado irregularidades. O Valor não conseguiu contato com o pai dela. Já a defesa de Lulinha afirmou que ele começou a planejar a mudança para a Espanha ainda em 2024 e que a PF tem essas informações. Sobre a empresa de Roberta, o advogado Marco Aurélio Carvalho, que defende o filho do presidente, disse que ele “não tem qualquer relação direta ou indireta com a empresa dela ou as intenções comerciais dela”.



Valor Econômico

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