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O Bradesco registrou um lucro líquido recorrente de R$ 6,8 bilhões no primeiro trimestre, um aumento de 16,1% em relação ao ano anterior e de 4,5% em relação ao trimestre anterior. O retorno sobre patrimônio líquido médio (ROAE) foi de 15,8%.
A carteira de crédito expandida totalizou R$ 1,1 trilhão, com crescimento anual de 8,4%. A inadimplência acima de 90 dias subiu para 4,2%, enquanto a margem financeira bruta alcançou R$ 20 bilhões, um aumento de 16,4% na comparação anual.
O índice de eficiência operacional foi de 46,9%. Apesar do desempenho positivo, analistas mantêm recomendações neutras para o Bradesco, destacando que o crescimento ainda é considerado insuficiente para mudanças significativas nas avaliações.
Para analistas e gestores ouvidos pelo NeoFeed, o resultado é positivo, ainda que existam pontos de atenção.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
O Bradesco anunciou na quarta-feira, 6 de maio, que registrou crescimento de lucro pelo nono trimestre consecutivo nos primeiros três meses do ano, além de expansão da rentabilidade, num resultado que manteve a tônica dos últimos trimestres: sem sustos, nem sobressaltos.
O banco fechou o primeiro trimestre com lucro líquido recorrente de R$ 6,8 bilhões, aumento de 16,1% em relação ao mesmo período do ano passado e expansão de 4,5% ante o resultado do quarto trimestre. A expectativa de analistas consultados pela Bloomberg era de que o Bradesco registrasse um lucro de R$ 6,6 bilhões.
O retorno sobre patrimônio líquido médio (ROAE) também foi positivo. O indicador atingiu 15,8%, alta de 0,6 ponto percentual em base trimestral e 1,4 ponto percentual na anual – o Itaú registrou retorno de 24,8% e o Santander de 16%.
“Entregamos o que prometemos, mais um aumento gradual do nosso lucro. Mais importante do que um grande passo é a sustentabilidade dos nossos resultados”, afirma, em nota, o CEO do Bradesco, Marcelo Noronha.
A reação inicial do mercado ao balanço foi positiva. No pós-mercado da Bolsa de Nova York (NYSE), os ADRs do Bradesco chegaram a subir mais de 3%, antes de desacelerarem. Perto das 20h, os ativos subiam 0,44%, a US$ 3,87.
A avaliação de analistas e gestores ouvidos pelo NeoFeed é de que o banco da Cidade de Deus apresentou resultados positivos, em linha com a filosofia step by step que Noronha vem imprimindo na retomada do banco, ainda que alguns pontos ainda precisem avançar.
“Esse resultado é mais um passo para frente, porque melhora o que já foi entregue nos trimestres passados”, disse Nicolas Mérola, analista da EQI Research. “É uma melhora marginal, como todos os outros trimestres têm sido. São passos pequenos, mas positivos, considerando o cenário desafiador para as instituições financeiras.”
A carteira de crédito expandida totalizou R$ 1,1 trilhão, aumento de 8,4% na comparação anual e de 0,1% na trimestral. A carteira de pessoas físicas subiu 9,5% ante o primeiro trimestre de 2025 e 1,6% em relação ao trimestre anterior, para R$ 474 bilhões.
A carteira de PMEs teve alta anual de 14,4%, mas queda trimestral de 2,3%, para R$ 254,6 bilhões. Já a carteira das grandes empresas avançou 3,3% em relação ao primeiro trimestre do ano anterior, mas recuou 0,2% na comparação com o quarto trimestre, para R$ 361,3 bilhões.
Um gestor ouvido pelo NeoFeed, que pediu para não ser identificado, pontuou que o crescimento da carteira em base anual representa uma desaceleração ante o quarto trimestre, quando a alta foi de 11%. “Consignado privado e veículos foram os principais destaques desse crescimento”, afirmou.
O Bradesco registrou no primeiro trimestre uma margem financeira bruta de R$ 20 bilhões, alta de 16,4% na comparação anual e de 4,2% na trimestral. A margem com clientes subiu 2% no trimestre e 16,3% em 12 meses, para R$ 19,5 bilhões, impulsionada pelo aumento do volume médio das operações, margem de passivos e spreads com demais operações.
A inadimplência acima de 90 dias apresentou leve aumento ante o quarto trimestre, de 0,1 ponto percentual, alcançando 4,2%. Segundo o Bradesco, o resultado foi influenciado pelas operações de capital de giro com garantias, que possuem dinâmica específica de recuperação. Já o indicador de atraso para pessoas físicas ficou estável em termos trimestrais, em 5,4%.
Para Hugo Cabral, analista de ações da Nord Investimentos, os dados demonstram uma boa situação, com risco controlado, num momento em que o mercado está cauteloso com as consequências dos juros altos na qualidade da carteira. “Não há grandes preocupações aqui”, diz.
Mérola destaca o avanço da carteira de crédito com garantia, que alcançou 60,8% do total, crescimento de 3,8 pontos percentuais nos últimos 12 meses. “Isso é um perfil que outras instituições também estão adotando, com garantias sólidas, uma evolução positiva do Bradesco”, afirma.
A despesa com provisões para créditos de liquidação duvidosa (PDD) expandida subiu 26,5% na base anual e 9,5% na trimestral, para R$ 9,6 bilhões. Cabral chama a atenção para este ponto, afirmando que o aumento em base anual é superior ao visto na margem bruta, resultando em margem líquida de R$ 10,4 bilhões, crescimento de 8%. “Esse é um ponto de atenção”, afirmou.
A receita com serviços totalizou R$ 10,4 bilhões no primeiro trimestre, alta de 6,2% em base anual e queda de 6,4% na comparação trimestral. As despesas operacionais subiram 7,8% em relação ao primeiro trimestre de 2025, para R$ 16,2 bilhões, por conta dos investimentos em infraestrutura tecnológica e da expansão do volume de transações.
O índice de eficiência operacional, que mede o custo em relação à receita, atingiu 46,9%, quedas de 3,3% e 2,8% nas comparações trimestral e anual, respectivamente. Quanto menor o índice, melhor a eficiência do banco.
Apesar de ver o desempenho como positivo, Cabral disse que ainda é insuficiente para alterar sua posição em relação ao Bradesco. “Nesse momento, temos recomendação neutra para o Bradesco”, afirmou.
As ações do Bradesco fecharam o dia com alta de 0,42%, a R$ 19,27. No ano, os papéis acumulam alta de 5,76%, levando o valor de mercado a R$ 189,9 bilhões.