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Coluna Sociedade  – Segunda Feira dia 13 de abril de 2026 

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Fortaleza e Dani Gondim: Duas belezas que não contam anos, mas colecionam horizontes.

Hoje celebramos o marco histórico dos 300 anos de Fortaleza. A escolha do dia 13 de abril remonta a 1726, ano em que o povoamento crescido em torno do forte tornou-se vila. Embora a ocupação tenha raízes anteriores,  com o Forte Schoonenborch (1649), construído pelos holandeses e  mais tarde rebatizado pelos portugueses, 1726 sela a oficialização política da nossa capital. Historiadores debatem marcos ainda mais antigos, mas o consenso oficial nos traz a este dia. Nossa “Loira desposada do sol”, como diria Paula Ney, completa três séculos, e, na escala do tempo, ainda é uma mocinha … jovem, vibrante e repleta de esperança.

A personificação de cidades como mulheres não nasceu apenas da poesia de Paula Ney. Na Antiguidade, cidades eram protegidas por divindades: Atenas era a própria Atena; Roma, a deusa homônima. A etimologia da palavra metrópole (do grego meter, mãe, e polis, cidade) evoca o ventre que nutre e protege. Na tradição bíblica, a metáfora feminina oscila entre arquétipos: da pureza de Jerusalém, a “filha de Sião”, ao excesso da Babilônia.

Com o passar dos séculos, a “cidade sedutora” ganhou contornos românticos no imaginário de urbanistas e poetas. Paris, Veneza e Londres passaram a ser descritas como mulheres de “humores” complexos, musas que precisam ser conquistadas. No Modernismo, Baudelaire viu Paris como uma figura feminina fugaz, enquanto Italo Calvino, em As Cidades Invisíveis, batizou todos os seus cenários com nomes de mulheres (Dora, Zaira, Irene), sugerindo que cada cidade possui uma identidade feminina única.

Mas, se pudéssemos escolher uma mulher para representar a Fortaleza de hoje, quem seria?

Fiquei fazendo reflexões, e nesta celebração, fiquei buscando uma mulher que fizesse essa representação. Em um momento “onirico”, um nome me veio com força, foi o da querida e bela Dani Gondim. 

Dani é uma figura que admiro profundamente. Como toda metrópole que enfrenta e supera seus próprios abismos, Dani encarou recentemente um desafio gigante. No final de março, ela nos presenteou com a notícia de remissão do linfoma, após um longo tratamento. 

Dani é a síntese da mulher guerreira; bela por dentro e por fora, ela conquista pelo carisma e por um sorriso que transborda vida, como a nossa Fortaleza. Ela simboliza o nascer e o pôr do sol de Fortaleza, possui uma luz que não pede licença, simplesmente inunda o espaço. Nela, encontramos a mesma paleta de cores, o dourado que reflete no mar e o rosa que colore o céu de quem compreende que a beleza reside na transição.

Na atualidade, nossa Fortaleza apresetna fachadas modernas e prédios que miram o horizonte, mas mantém o pé na areia e o vento no rosto. Dani carrega essa mesma dualidade: tem o porte das capitais da moda e a segurança de quem domina as câmeras, mas preserva a fluidez da brisa. Não é uma beleza estática; ela se move com a agilidade das jangadas que cortam o Mucuripe, firme, porém leve!

Viver é construir caminhos, pontes, significância, viver é fazer artesanato, uma renda, e se Fortaleza fosse um tecido, seria a renda de bilro: complexa, detalhada, tecida com paciência. A trajetória de Dani, entre personagens e passarelas, assemelha-se completamente à renda de bilro. Cada fio é uma experiência; cada ponto, uma emoção. O resultado é uma obra delicada ao olhar, mas resistente o suficiente para atravessar o tempo.

Parabéns à nossa Fortaleza pelos seus 300 anos! Que esta marca não seja apenas uma festa, mas um convite à reflexão. Como diz o ditado: “quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve”. Que o poder público e a sociedade civil se unam para que possamos, juntos, escolher o caminho de uma cidade cada vez mais justa, humana e solar.

Fotos da Dani Gondim de Luís Morais. 



Estado do Ceará

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