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De volta às urnas: Raad Massouh tenta retornar à CLDF após mandato cassado

arquivo pessoal

Ex-deputado perdeu o mandato em votação na Câmara Legislativa em 2013; anos depois, foi absolvido pela Justiça das acusações criminais que deram origem ao caso. Filho também protagonizou episódio policial durante campanha eleitoral

Mais de uma década depois de deixar a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) após ter o mandato cassado pelos próprios deputados distritais, Raad Massouh tenta voltar à Casa. Aos 69 anos, o empresário é candidato a deputado distrital pelo Mobiliza nas eleições de 2026, com o número 33100. O registro da candidatura foi deferido pela Justiça Eleitoral.

A nova candidatura traz novamente ao debate público episódios que marcaram a passagem de Raad pela política do Distrito Federal. O mais significativo ocorreu em 30 de outubro de 2013, quando a CLDF aprovou a perda de seu mandato por 18 votos favoráveis, três contrários e duas abstenções. Com a decisão, ele se tornou o terceiro deputado distrital cassado pela Câmara Legislativa até então.

O processo político estava relacionado a acusações envolvendo a destinação de uma emenda parlamentar de R$ 100 mil para a realização de um evento rural em Sobradinho, em 2010. Na época, investigações apontavam suspeita de apropriação de R$ 47 mil. O caso foi investigado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), e Raad chegou a ser denunciado por peculato, lavagem de dinheiro e questões relacionadas à legislação de licitações.

Absolvição posterior

Há, contudo, uma distinção fundamental entre a decisão política tomada pela Câmara Legislativa e o desfecho criminal do caso. Raad foi posteriormente absolvido pela Justiça, que entendeu não haver provas suficientes contra o ex-parlamentar. Em 2019, a absolvição foi mantida por unanimidade pela 39 Turma Criminal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), após recurso do Ministério Público.

Isso significa que a cassação de 2013 efetivamente ocorreu e encerrou seu mandato, mas não é correto apresentar atualmente as acusações que motivaram aquele processo como crimes pelos quais Raad tenha sido condenado.

O episódio não foi o primeiro problema enfrentado pelo então deputado na esfera eleitoral. Em 2011, o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) havia determinado a perda de seu mandato após identificar irregularidades nas contas da campanha de 2010.

Entre elas estavam o recebimento de R$ 30 mil de uma empresa constituída no próprio ano eleitoral, a utilização de veículos sem a devida integração ao patrimônio do doador e a ausência de recibos eleitorais.

Mais uma vez, porém, o desfecho precisa ser registrado: a cassação foi anulada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em março de 2012. Por unanimidade, os ministros consideraram que as irregularidades não tinham gravidade suficiente para justificar a perda do mandato. Raad, portanto, permaneceu no cargo naquela ocasião.

Episódio envolvendo o filho

Anos depois da cassação de Raad, outro episódio colocou o sobrenome Massouh novamente no noticiário policial durante uma eleição.

Em setembro de 2018, seu filho, Raad Massouh Junior, então candidato a deputado distrital pelo PSDB, foi preso por porte ilegal de arma de fogo durante uma blitz da Polícia Militar na DF-345, em Planaltina. Ele foi liberado naquela mesma noite após pagar fiança de R$ 1 mil.

Segundo reportagem publicada à época pelo Correio Braziliense, policiais encontraram no veículo quatro munições calibre 32 e, dentro de uma mochila, uma pistola calibre

.380 com 17 munições, além de uma arma de ar comprimido. Inicialmente, Raad Junior afirmou ser proprietário da mochila e das armas; depois, disse aos policiais que os artefatos pertenciam ao pai e tinham registro, mas não apresentou a documentação naquele momento.

Também foram encontradas duas porções de maconha e três adesivos de LSD no automóvel. As drogas, entretanto, não podem ser atribuídas a Raad Junior: outro ocupante do veículo declarou ser o proprietário e assinou termo de compromisso e comparecimento.

Na eleição daquele ano, Raad Junior não conseguiu se eleger para a Câmara Legislativa.

Retorno em 2026

Agora é o próprio Raad Massouh quem busca retornar à política institucional. Seu pedido de registro para concorrer à CLDF foi deferido pela Justiça Eleitoral, que registrou não haver causa de inelegibilidade ou ausência de condição de elegibilidade que impedisse sua candidatura.

A candidatura coloca novamente sob escrutínio público uma trajetória que reúne decisões bastante distintas: Raad teve uma cassação eleitoral posteriormente anulada pelo TSE, perdeu definitivamente o mandato em decisão política da Câmara Legislativa em 2013 e, anos depois, foi absolvido criminalmente das acusações relacionadas ao episódio que havia motivado sua saída da CLDF.

Esse histórico não impede sua participação nas eleições de 2026. Ao contrário: a Justiça Eleitoral reconheceu formalmente que Raad reúne as condições necessárias para disputar uma cadeira. Mas os episódios que marcaram sua passagem anterior pela Câmara Legislativa integram sua trajetória pública e ajudam o eleitor a compreender quem é o candidato que, 13 anos depois de ter o mandato cassado pela própria Casa, tenta voltar à CLDF.

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