Pré-candidato ao governo de São Paulo, o ex-ministro Fernando Haddad (PT) afirmou nesta sexta-feira (1º) que o empate entre presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) em pesquisas de intenção de voto recentes é “inadmissível” e só pode ser explicado por uma “lavagem cerebral coletiva”.
O ex-ministro da Fazenda disse ainda que há um “contraste grande” entre Lula e Flávio, e afirmou que a oposição não está preocupada com a democracia.
“É inadmissível o que está se vendo aí nas pesquisas eleitorais. É inadmissível. O contraste é tão grande, tão grande, que só uma lavagem cerebral coletiva explica uma comparação impossível entre dois personagens da história do Brasil”, afirmou Haddad, ao discursar em evento promovido pela Força Sindical em São Paulo, em homenagem ao dia do trabalhador.
Em pesquisas recentes de intenção de voto, Lula e Flávio aparecem empatados em um eventual segundo turno. De acordo com o levantamento divulgado pela Genial/ Quaest em 15 de abril, Lula tem 37% das intenções de voto e Flávio, 32% no primeiro turno. Em um cenário de segundo turno, o presidente e pré-candidato à reeleição tem 40% e o senador, 42%. Como a margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, os dois pré-candidatos estão em empate técnico.
Na pesquisa divulgada pelo Datafolha em 11 de abril, no primeiro turno Lula tem 39% das intenções de voto e está em empatado tecnicamente com Flávio, que registra 35%. Em cenário de segundo turno, o presidente também aparece empatado com o senador, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Lula tem 45% e Flávio, 46%. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
No evento do 1º de maio, Haddad afirmou que a população tem um “desafio cívico a cumprir” nas eleições, de defender a democracia “conquistada a duras penas pelos trabalhadores”. “Essa agenda de democracia é nossa, ou vocês pensam que do lado de lá tem algum compromisso com a democracia?”, disse, em crítica aos opositores do presidente Lula.
O ex-ministro da Fazenda afirmou que sem democracia não seria possível discutir temas como a redução da jornada de trabalho e a isenção sobre a Participação nos Lucros ou Resultados. “Se não tivermos o ambiente em que essas coisas possam ser discutidas, não vamos avançar”.
Depois do evento, Haddad criticou as derrotas impostas ao governo Lula pelo Senado, ao aprovar benefícios para os condenados nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 e barrar a indicação de Jorge Messias, advogado-geral da União, para o Supremo Tribunal Federal. Segundo o ex-ministro da Fazenda, foi uma “derrota do combate à corrupção” e “um grande acordo em torno da impunidade”.
“Foi uma derrota do combate à corrupção”, disse Haddad, depois das duas derrotas enfrentadas pelo governo Lula, com a rejeição pelo Senado da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) e a derrubada pelo Congresso do veto ao projeto da dosimetria — que beneficia os condenados pelos atos golpistas do 8 de janeiro de 2023, incluindo o Jair Bolsonaro.
Sobre a rejeição do nome de Messias, Haddad disse que é “uma derrota de todos nós”. “Estava vendo analistas políticos dizendo que, por trás dessa derrota, tinha a pretensão de um grande acordo em torno da impunidade daqueles responsáveis por alguns escândalos recentes no Brasil. Lamento se estiver acontecendo. Estamos sempre precisando passar a limpo determinados escândalos, sobretudo os que ganharam a esfera pública pela escala e pela desfaçatez dos criminosos envolvidos”, afirmou a jornalistas, em referência ao escândalo do banco Master.
Haddad participou nesta sexta-feira de um ato promovido pela Força Sindical na capital paulista, em homenagem ao dia do trabalhador. O pré-candidato estava acompanhado das ex-ministras Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede), pré-candidatas ao Senado em sua chapa. O petista evitou falar quem ocupará a vaga de vice e as duas vagas ao Senado. Além das duas ex-ministras, o ex-ministro e ex-governador Márcio França (PSB) também se lançou como pré-candidato ao Senado.
“Vamos ter que conversar e vamos chegar a um denominador comum”, disse, sobre sua chapa.