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Empresários industriais continuam insatisfeitos no 2º trimestre, aponta CNI | Brasil

 — Foto: Pixabay

As empresas industriais continuam insatisfeitas com as próprias condições financeiras no segundo trimestre de 2026, revelou a Sondagem Industrial divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta terça-feira (21). Segundo a entidade, o peso dos impostos, juros elevados e alto custo de insumos e matérias-primas impediram um desempenho melhor do setor.

O índice que mede a satisfação dos empresários subiu 0,7 ponto no segundo trimestre ante o primeiro, chegando aos 47,9 pontos, em uma escala que vai de 0 a 100. Apesar da alta, o indicador segue abaixo da linha divisória de 50 pontos, revelando insatisfação dos industriais, ainda que em menor intensidade do que no primeiro trimestre.

Outros indicadores tiveram movimento semelhante. Os índices de satisfação com o lucro operacional e de facilidade de acesso ao crédito aumentaram 1 ponto e 0,9 ponto, para 42,9 pontos e 39,9 pontos, respectivamente – também abaixo da linha de 50 pontos, revelando a insatisfação dos empresários com o lucro dos negócios e com as barreiras para o acesso a empréstimos e financiamentos.

Outra notícia positiva para o setor foi a queda do índice de evolução do preço médio das matérias-primas, que recuou 2 pontos ante o primeiro trimestre, para 64,1 pontos.

“Os cortes na taxa de juros foram modestos e tiveram pouco impacto sobre a melhora das condições financeiras. O quadro geral mostra que os empresários continuam bastante insatisfeitos com a lucratividade e o acesso ao crédito”, afirmou o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo.

A Sondagem Industrial mostrou que um em cada três empresários (33,3%) apontou a elevada carga tributária como o principal problema enfrentado pelo setor no segundo trimestre.

A falta ou o alto custo da matéria-prima permaneceu na segunda posição do ranking dos principais problemas, com 31,2% das respostas dos industriais. Mesmo com o início do ciclo de cortes dos juros pelo Banco Central, 27,9% dos empresários apontaram as taxas de juros elevadas como o terceiro maior obstáculo ao desempenho das empresas no período.

Em junho, o índice que mede a evolução da produção caiu para 48,4 pontos, refletindo uma queda de 0,5 ponto ante maio. O resultado é o pior para o mês de junho desde 2022. Já o índice de evolução do número de empregados permaneceu estável após variação negativa de 0,2 ponto, para 48,2 pontos, o que indica uma redução dos postos de trabalho na comparação com maio.

A Utilização da Capacidade Instalada (UCI), por outro lado, avançou um ponto percentual, passando de 69% em maio para 70% em junho. Com a alta, o uso do parque fabril cresceu quatro pontos percentuais no primeiro semestre do ano.

De acordo com o levantamento, o índice de evolução do nível de estoques caiu 0,2 ponto, para 49,3 pontos. O índice permanece abaixo da linha divisória de 50 pontos, sinalizando redução dos estoques de produtos da indústria. Ao mesmo tempo, o índice que compara o estoque efetivo com o planejado pelas empresas subiu 0,6 ponto e chegou a 50 pontos, exatamente sobre a marca divisória. Isso significa que o nível de estoques do setor industrial voltou ao patamar idealizado pelos empresários pela primeira vez em 2026.

Após queda em junho, o índice de expectativa de quantidade exportada registrou a maior alta em junho, de 1,3 ponto, de 49,7 pontos para 51 pontos. Com isso, os empresários industriais voltaram a projetar crescimento das exportações nos próximos seis meses.

Em junho, a compra de insumos e matérias-primas teve alta de 0,7 ponto, para 52,4 pontos; a demanda por produtos avançou 0,6 ponto, para 53,3 pontos; o número de empregados recuou 0,4 ponto, para 50,1 pontos.

Os resultados mostram que os empresários devem comprar mais insumos e matérias-primas e o crescimento da procura por bens industriais nos próximos seis meses. Por outro lado, projetam manutenção dos postos de trabalho no período.

Já o índice que mede a intenção de investimento dos empresários caiu 0,3 ponto, para 53,2 pontos em junho ante maio. Foi a segunda queda consecutiva do indicador, que permanece acima da média histórica, de 52,6 pontos.

Para esta edição da Sondagem Industrial, a CNI consultou 1.351 empresas — 548 pequenas, 478 médias e 325 grandes — entre 1º e 10 de julho de 2026.

— Foto: Pixabay



Valor Econômico

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