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Family office dos Moreira Salles revela fatia milionária na SpaceX | Finanças

Family office dos Moreira Salles revela fatia milionária na SpaceX | Finanças

Empresas de investimento de indivíduos ultrarricos das Américas, Europa e Oriente Médio acumularam bilhões de dólares em exposição à SpaceX, empresa de foguetes de Elon Musk o que ressalta a capacidade dessas firmas de conquistar espaço em oportunidades de negócios muito disputadas.

Um family office de Nick Pritzker, herdeiro da Hyatt Hotels, tinha um investimento de US$ 1,8 bilhão no fim de junho na empresa de foguetes, satélites e inteligência artificial fundada por Elon Musk, poucas semanas após a oferta pública inicial de ações da SpaceX, segundo dados compilados pela Bloomberg a partir de documentos regulatórios 13F.

A BlueCrest Capital, de Michael Platt, e a dinastia financeira brasileira Moreira Salles declararam participações superiores a US$ 100 milhões, enquanto uma empresa de investimentos do xeique Mohamed bin Zayed Al Nahyan, governante de Abu Dhabi, revelou uma posição de quase US$ 65 milhões na companhia sediada no Texas, segundo documentos apresentados nos EUA.

Mais de uma dúzia de family offices detinham, no total, pelo menos US$ 3,8 bilhões na empresa oficialmente denominada Space Exploration Technologies Corp. no primeiro semestre de 2026, mostram os documentos. Alguns deles — entre os quais a Tao Capital, de Pritzker, e a família Moreira Salles, ligada ao Itaú Unibanco, um dos maiores bancos do Brasil — também investem na Tesla Inc., a outra parte listada em bolsa do império empresarial de Musk.

Os dados representam a primeira vez que alguns dos investidores privados mais influentes do mundo revelam posições em ações da SpaceX. A empresa começou a ser negociada na Nasdaq em 12 de junho, após construir reputação como uma das startups mais cobiçadas do globo, com demanda pela oferta de US$ 75 bilhões superior a quatro vezes a quantidade de ações disponível. Os papéis dispararam nos primeiros dias de negociação, mas perderam mais de US$ 1 trilhão em valor de mercado até o início de agosto.

O fim neste mês do período de “lock-up”, que passou a permitir que acionistas reduzissem participações, era visto como outro risco para o preço das ações da SpaceX, mas acabou tendo impacto passageiro.

A listagem foi a maior da história, mais que o dobro da oferta de US$ 29,4 bilhões da Saudi Aramco, realizada quase uma década atrás, e transformou Musk no primeiro trilionário do mundo.

Os family offices, gestores de recursos geralmente discretos que administram o patrimônio de ultrarricos, multiplicaram-se nas últimas duas décadas em meio ao forte crescimento das fortunas nos setores de tecnologia, finanças e saúde.

Como normalmente atendem um único cliente ou um grupo pequeno, essas firmas em geral têm mais agilidade e podem fazer investimentos de prazo mais longo que investidores institucionais, o que leva empresas a cortejá-las com frequência em busca de financiamento. Ao mesmo tempo, o grande volume de capital sob gestão pode ajudá-las a obter acesso a transações cobiçadas, como o IPO da SpaceX, embora possam ter adquirido participações na empresa anteriormente.

Entre outros family offices que revelaram posições na SpaceX neste mês está a firma que administra o patrimônio de Gina Rinehart, a pessoa mais rica da Austrália. Em junho, ela afirmou ter feito “um investimento significativo” na empresa de Musk, sem especificar o tamanho da participação. O investimento valia quase US$ 1,4 bilhão e era a maior posição individual da carteira de ações listadas nos EUA da Hancock Prospecting Pty Ltd.

David Thomson, herdeiro de uma das maiores fortunas do setor de mídia no mundo, detinha uma participação de quase US$ 1 milhão na SpaceX por meio da empresa privada de investimentos, mostram os documentos. E um family office que administra a fortuna do magnata do varejo duty-free Alan Parker declarou uma participação menor na fabricante de foguetes, além de uma posição de cerca de US$ 475 mil na Tesla.

Gestores que administram mais de US$ 100 milhões em ações dos EUA precisam apresentar o formulário 13F até 45 dias após o fim de cada trimestre, detalhando posições em ações negociadas em bolsas americanas. O documento oferece uma das poucas janelas para observar como hedge funds e alguns grandes family offices investem.

Outros destaques dos formulários 13F do segundo trimestre incluem:

O Duquesne Family Office, de Stanley Druckenmiller, aumentou a participação na Taiwan Semiconductor Manufacturing Co., uma das maiores fabricantes de chips do mundo.

A Soros Fund Management, veículo de investimentos do bilionário George Soros, reduziu a posição na Amazon.com Inc., gigante do comércio eletrônico e da computação em nuvem.

A Appaloosa, de David Tepper, revelou uma nova participação de quase US$ 200 milhões na fabricante americana de aviões Boeing Co., além de uma posição menor na SpaceX.



Valor Econômico

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