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Food To Save dobra faturamento em 2025 com sacolas-surpresa que evitam desperdício de alimentos | Média É Mais

Food To Save dobra faturamento em 2025 com sacolas-surpresa que evitam desperdício de alimentos | Média É Mais

Perdem-se no país cerca de R$ 60 bilhões anualmente em alimentos, cerca de 30% desse volume no varejo, segundo dados do IBGE. Com o objetivo de reduzir esse desperdício, gerando receita para os estabelecimentos e descontos para os consumidores, é que a foodtech brasileira Food To Save vem escalando seu faturamento, fechando 2025 com R$ 160 milhões.

A empresa conecta, via aplicativo, uma base de 7,5 milhões de usuários com 12 mil estabelecimentos cadastrados, que vão de padarias, restaurantes e cafeterias a hotéis e supermercados, oferecendo produtos próximos do vencimento ou que foram expostos na vitrine e não foram vendidos ao longo do dia – tudo dentro da validade e apto para consumo.

O atrativo para o consumidor é o desconto nos produtos, de até 70% em relação ao original — que, vale dizer, de outra forma seria descartado. “Se não déssemos um desconto agressivo, não valeria a pena para o consumidor”, diz Lucas Infante, fundador e CEO da empresa criada há cinco anos nos moldes de um marketplace.

Para funcionar, o modelo estabelecido pela Food To Save implica que o consumidor não escolha exatamente o produto. “É sempre uma sacola-surpresa, com a opção de doce, salgado ou mista. Ele sabe, por exemplo, qual padaria escolheu, que o conteúdo vai ser 100% doce, mas não exatamente o que vem dentro. Parece maluquice, mas o que queremos é vender o excedente”, afirma Infante.

Em 2025, a empresa mais que dobrou sua receita bruta em relação a 2024 — ano em que já havia triplicado o faturamento na comparação com 2023. Desde o início da operação, há cinco anos, o empresário calcula que as 7 milhões de sacolas-surpresa adquiridas pelos consumidores “salvaram” mais de 8 mil toneladas de alimentos que seriam desperdiçados — deixando também de emitir na atmosfera um total de 18 mil toneladas de CO₂, segundo Infante.

Ideia nasceu na Espanha
Esse modelo de “aproveitamento” já é disseminado na Europa, na Ásia e nos Estados Unidos, observa o CEO. Infante mesmo divide seu tempo hoje entre o Brasil e a Espanha, onde morou por cinco anos. Lá, ele teve a ideia do Food To Save, depois de gerenciar uma franquia do Carrefour Express. “Era muito desperdício ao final do mês. No caso da Food To Save, nosso conceito é basicamente um ganha-ganha-ganha, pois, para o estabelecimento, geramos uma receita incremental de um produto que seria jogado fora. O consumidor pode ter acesso a produtos e alimentos de marcas e estabelecimentos conhecidos, como Kopenhagen e Dengo Chocolates, que talvez pelo poder aquisitivo nunca tivesse. E evitamos o desperdício de alimentos, reduzindo a emissão de CO₂”, diz.

Com alcance de 14 das 27 capitais brasileiras, além de 150 municípios, a Food To Save não quer ser confundida com um app de desconto ou delivery: “Temos uma proposta de valor completamente diferente e procuramos endereçar muito bem nossa missão, que é a de evitar o desperdício de alimentos no Brasil e trabalhar com venda de excedente. Com isso, chegamos a recuperar entre 70% e 80% do que sobraria e seria jogado fora nos estabelecimentos parceiros. Para uma empresa com perda de R$ 1 milhão, isso representaria salvar perto de R$ 800 mil, o que é muita coisa.”

As sacolas também podem ser de bebidas alcoólicas próximas do vencimento, como as dos parceiros Zé Delivery e St. Marche – sendo que a última trabalha com muitas cervejas artesanais, almejadas pelo consumidor. “O comprador pode receber três Stella Artois, uma vodca Grey Goose e pagar R$ 25, que não é nenhum absurdo, fora a possibilidade de experimentar uma cerveja que nunca viu na vida”, afirma o CEO. Padarias e supermercados são os mais procurados pelos usuários da plataforma, sendo que os últimos, pela variedade de produtos, são segmentados em várias categorias e não somente em doces e salgados. “Pós-Natal, por exemplo, é um período em que vendemos milhares de panetones, assim como o pós-Páscoa, com saldão de ovos.”

A primeira venda
A primeira sacola da Food To Save foi vendida em 21 de maio de 2021, uma data marcante para os fundadores, Infante, Fernando H. Reis, COO, que veio da Honda, e Guido Bruzadin, CTO, que trabalhou por 11 anos no iFood. O CEO lembra outro período importante: “No final de 2023, grandes nomes do food service, como o Pão de Açúcar, começaram a entrar no Food To Save e endossaram muito mais nossa credibilidade e confiança perante o mercado”.

Nosso papel não é concorrer com quem doa, é acabar com o desperdício”

— Lucas Infante, fundador e CEO da Food To Save

Grande parte da base consumidora da Food To Save é formada pela classe C, mas as A e B vêm crescendo, inclusive entre consumidores que compram para doar. A característica surpresa, segundo Infante, é um dos grandes propulsores do negócio da empresa. No TikTok, em que a foodtech tem quase meio bilhão em visualizações, é comum a postagem de vídeos com a abertura de sacola por um cliente. “Investimos, claro, nas plataformas, mas quase 80% da aquisição é de usuários orgânicos”, diz.

Segundo o CEO, 60% de seus clientes retiram suas sacolas nos próprios estabelecimentos em que compraram e 40% recebem por motoboy, uma logística dentro do próprio app.

Take rate mais alto
O ganho da Food To Save está no “take rate”, ou valor cobrado do estabelecimento sobre cada transação realizada na plataforma, que Infante admite que é maior que o de outros marketplaces de produtos alimentícios, como iFood. “Ganhamos através de um comissionamento, mas não cobramos mensalidade, nem taxa de adesão. Nossa diferença é que estamos falando de um produto que ia ser desperdiçado, que é uma receita incremental e não uma ‘nova receita’”, diz o CEO. A Food To Save só ganha comissão havendo a venda da sacola.

A lei que rege esse excedente de produção alimentícia é a nº 15.224, de setembro de 2025, uma reformulação detalhada da original promulgada em 2020, e vigora dentro de uma nova Política Nacional de Combate à Perda e ao Desperdício de Alimentos do governo federal. Ela regula e facilita o que pode ser feito com excedentes, incentivando, principalmente, a doação. “Mas nosso papel não é concorrer com quem doa, é acabar com o desperdício, seja ele por meio da doação ou de iniciativas de venda desse excedente. Temos grandes parceiros que já são doadores do terceiro setor, como produtos de hortifruti que não cabem em uma venda, mas em uma doação para uma merenda, uma refeição, uma quentinha, sim. O que não pode é jogar fora.”



Valor Econômico

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