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Governo publica MP que viabiliza Novo Desenrola Brasil | Finanças

 — Foto: Emil Kalibradov/Unsplash

O governo federal publicou em edição extra do Diário Oficial da União (DOU) desta segunda-feira (4) a Medida Provisória (MP) que viabiliza o Novo Desenrola Brasilprograma de renegociação de dívidas para brasileiros que recebem até cinco salários mínimos por mês. Os detalhes do programa foram anunciados mais cedo, em entrevista coletiva no Palácio do Planalto.

O Novo Desenrola Brasil vai permitir a renegociação de dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026 e que estejam atrasadas há mais de 90 dias a até dois anos do dia anterior à data da publicação da MP. A renegociação será feita direto na plataforma do banco para dívidas com cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal.

O desconto médio será de 65%, segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, mas vai variar de 30% a 90%, a depender da dívida e do tempo em atraso. A taxa de juros máxima será de 1,99% ao mês, se aproximando dos níveis mais baixos do mercado. O prazo de pagamento será de 12 a até 48 meses, com até 35 dias para quitação da primeira parcela.

O limite da nova dívida (após descontos) será de até R$ 15 mil por pessoa, por instituição financeira. A dívida renegociada usará o sistema Price de amortização.

No caso do Fies, poderão ser negociadas dívidas vencidas e não pagas há mais de 360 dias com até 99% de desconto para quem tiver inscrito no Cadastro Único do governo federal. Para quem estiver fora, o desconto será de até 77%. Para dívidas mais recentes, não pagas acima de 90 dias, haverá desconto dos juros e multas e de 12% do principal, se o pagamento for à vista, ou parcelamento em até 150 vezes, com desconto da totalidade dos juros e multas.

Para viabilizar a taxa de juros mais baixa, o governo vai utilizar o Fundo de Garantia de Operações (FGO) como principal instrumento de garantia do crédito concedido pelos bancos, reduzindo o risco das operações e permitindo que instituições financeiras ofereçam condições mais favoráveis aos devedores.

A ideia é que os recursos do fundo cubram 50% das dívidas renegociadas por carteira de cada instituição financeira. Com cerca de R$ 8 bilhões em garantias, o programa pode viabilizar a renegociação de até R$ 42 bilhões em dívidas antigas e R$ 16 bilhões em dívidas novas, disse Durigan.

Para estruturar a iniciativa, o desenho prevê a utilização de cerca de R$ 2 bilhões de saldo já disponível no FGO, além da transferência ao fundo de recursos esquecidos no sistema financeiro – os chamados valores a receber (SVR) – que podem mobilizar entre R$ 5 bilhões e R$ 8 bilhões adicionais. Se o programa avançar, o governo terá autorização para um aporte de até R$ 5 bilhões no FGO, com impacto na meta de resultado primário.

O Ministério da Fazenda, com apoio do FGO, publicará edital para que interessados possam reclamar os recursos no período de 30 dias. Os recursos não reclamados serão utilizados para o fundo. Haverá, ainda, uma separação de 10% do saldo transferido que ficará disponível para cobrir eventuais pedidos de resgate.

A MP publicada pelo governo também permite que o trabalhador que aderir ao Novo Desenrola use até 20% do saldo da conta do seu Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) ou até R$ 1 mil, o que for maior, para abater a dívida. Poderão ser sacados até R$ 8,2 bilhões do fundo para esse fim. Em contrapartida, quem aderir ao programa ficará proibido de apostar em bets por um ano.

O leque do Novo Desenrola Brasil contemplou também as micro e pequenas empresas e os agricultores familiares. Em linhas gerais, o pacote ampliou limites de financiamento, estabeleceu maiores prazos de pagamento e flexibilizou regras de concessão de crédito.

Consignado de servidores públicos e aposentados

Também houve mudanças nas regras do consignado de servidores públicos e de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Houve, por exemplo, extinção da margem exclusiva de 10% para operações via cartão consignado e de benefícios, que tinha juros mais alto, e redução do limite total de consignação, para diminuir o nível de endividamento desse público.

O pacote é lançado a cinco meses do primeiro turno das eleições de 2026. A medida é anunciada em um momento que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem cobrado de sua equipe ações para reduzir o endividamento das famílias — um tema que tem preocupado o Palácio do Planalto devido ao impacto eleitoral.

É a segunda vez que o governo Lula 3 lança um programa de renegociação de dívidas. Na primeira vez, em 2023, o foco era trabalhadores que recebiam até dois salários mínimos. Agora, a medida é reeditada, de forma ampliada, para abarcar também a classe média.

Há uma preocupação entre especialistas que a renegociação resulte em um estímulo ao consumo. Os ministros Dario Durigan e Bruno Moretti (Planejamento e Orçamento) negaram esse possível efeito inflacionário, o que dificultaria o trabalho do Banco Central (BC) de conduzir a inflação ao redor da meta no horizonte relevante.

O Comitê de Política Monetária (Copom) tem manifestado preocupação com os juros elevados, que atribui, entre outros fatores, à questão fiscal. Para o colegiado do BC, “uma política fiscal que atue de forma contracíclica e contribua para a redução do prêmio de risco favorece a convergência da inflação à meta”.

— Foto: Emil Kalibradov/Unsplash



Valor Econômico

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