França e Espanha tiveram um alívio nesta sexta-feira após dias de incêndios florestais devastadores, com grandes focos próximos a Bordeaux e Madri sendo controlados, embora as chamas continuassem a avançar na Grécia e no oeste da Espanha.
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A Europa vem sendo castigada por incêndios florestais neste verão após sucessivas ondas de calor recordes, que deixaram vastas áreas de vegetação ressecadas e altamente inflamáveis, forçando centenas de milhares de pessoas a abandonar suas casas.
Enquanto os incêndios diminuíam na Espanha e na França, a Grécia enfrentava novos focos em diferentes regiões do país nesta sexta-feira. Moradores de duas comunidades a oeste de Atenas foram orientados a deixar suas casas por precaução devido a um incêndio que lançava grandes colunas de fumaça nas colinas ao redor da capital grega.
No sudoeste da França, as autoridades começaram a autorizar o retorno dos moradores depois de declarar controlado um grande incêndio que queimava havia mais de uma semana.
As ordens de evacuação foram suspensas em 12 distritos a oeste e sudoeste de Bordeaux, permitindo que 144 mil das mais de 220 mil pessoas deslocadas retornassem para casa, informou em comunicado a prefeita da região de Gironde, Sophie Brocas.
A Europa é o continente que mais aquece no mundo. Estudos científicos recentes confirmam que as mudanças climáticas provocadas pela ação humana criaram as condições de calor extremo e seca registradas nos últimos meses, dificultando o trabalho das equipes de emergência.
A temperatura média da Europa nesta sexta-feira foi projetada em 24,9°C, ou 3,3°C acima da média do período entre 1961 e 1990, tornando o continente o mais distante de seu padrão histórico, segundo dados do Monitor Climático da Reuters.
As grandes quantidades de fumaça e cinzas lançadas na atmosfera nas últimas semanas expuseram milhões de pessoas à poluição do ar prejudicial à saúde. Cientistas dizem estar especialmente preocupados com a emissão de partículas finas conhecidas como PM2,5, associadas a doenças cardiovasculares, câncer de pulmão e problemas respiratórios.
Turistas retirados de áreas atingidas
Na ilha grega de Creta, equipes de combate ao fogo continuavam enfrentando focos persistentes ao longo de uma frente de 15 quilômetros e monitorando o risco de novos incêndios. Um foco iniciado na quarta-feira obrigou à retirada de centenas de turistas e moradores, inclusive por barco a partir de comunidades costeiras.
“Estamos travando uma grande batalha para conter o incêndio e esperamos controlá-lo até o fim do dia”, disse Giorgos Tsapakos, vice-governador regional de Proteção Civil de Creta.
Segundo ele, ventos fortes previstos até a noite de sábado, com rajadas de até 115 km/h, dificultavam o trabalho dos bombeiros.
A Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, sediada em Genebra, estimou que cerca de 2 mil turistas foram retirados das áreas atingidas em Creta e informou que casas, terras agrícolas, olivais e rebanhos foram destruídos.
Também surgiram novos focos em outras regiões da Grécia. Na Beócia, a noroeste de Atenas, centenas de moradores e visitantes de uma pequena comunidade costeira foram retirados em embarcações da guarda costeira e barcos de pesca, enquanto densas nuvens de fumaça alaranjada cobriam a região.
A Espanha suspendeu na quinta-feira o estado de emergência nacional nas províncias de Ávila e Madri, devolvendo às autoridades regionais a coordenação das operações diante da melhora das condições.
Mesmo assim, equipes de combate ao fogo permaneceram em alerta nesta sexta-feira para possíveis novos focos, enquanto cerca de mil moradores de sete áreas residenciais de Pelayos de la Presa e San Martín de Valdeiglesias, na região da capital, ainda não puderam voltar para casa.
Mais a leste, um incêndio em La Vall d’Uixó, na província de Castellón, permanecia ativo, embora sem avanço nas últimas 48 horas. Cerca de 7 mil moradores continuam fora de casa, apesar de aproximadamente mil já terem retornado.
Ventos fortes também dificultavam o combate ao fogo no Parque Natural Arribes del Duero, na província de Zamora, perto da fronteira com Portugal, onde as chamas atingiram os cânions dos rios Douro e Tormes. Quatorze vilarejos foram evacuados, enquanto outros dois receberam orientação para que os moradores permanecessem em casa.
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