O Irã afirmou neste sábado (8) que um acordo com Omã sobre o controle do Estreito de Ormuz está próximo, mas que isso não seria suficiente para liberar a hidrovia. Já os Emirados Árabes Unidos disseram que o Irã atingiu mais uma embarcação na região.
Uma autoridade dos Estados Unidos, que pediu anonimato, afirmou na sexta-feira (7) que Washington espera um acordo em breve entre Irã e Omã, países localizados em lados opostos do estreito, para que o tráfego normal de petróleo possa ser retomado.
Um entendimento entre os dois países sobre o controle dessa rota estratégica é considerado crucial para um acordo mais amplo que encerre o conflito iniciado pelos ataques dos EUA e de Israel ao Irã em 28 de fevereiro.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, disse que Irã e Omã estão “muito próximos” de um acordo sobre uma nova rota de navegação no Estreito de Ormuz, mas que a reabertura da passagem depende de outras condições, entre elas compensações dos Estados Unidos ao Irã.
Segundo ele, o esquema anterior de separação de tráfego marítimo no estreito não é mais aceitável para Teerã. Araqchi acrescentou que o país está discutindo uma rota temporária com Omã enquanto questões técnicas e jurídicas relativas a uma rota permanente são resolvidas.
O Irã respondeu aos ataques dos EUA atingindo bases americanas nos países do Golfo e na Jordânia, além de afetar a navegação no estreito, por onde passava um quinto das exportações mundiais de petróleo e gás antes da guerra.
Os Emirados Árabes Unidos afirmaram neste sábado que o Irã atacou com um míssil um navio ligado à sua estatal de petróleo enquanto a embarcação transitava pelo Estreito de Ormuz. Não houve relatos de feridos. O episódio representa a mais recente escalada dos ataques à navegação na região.
Não houve comentário imediato das autoridades iranianas.
A mídia estatal iraniana reproduziu o relato dos Emirados Árabes Unidos, mas omitiu a parte em que o país atribuía o ataque ao Irã.
EUA suspenderão bloqueio ao Irã após anúncio de acordo, diz autoridade
Nas últimas semanas, o governo Trump tem sinalizado repetidamente que um acordo para reabrir o estreito estaria próximo, apenas para ver o Irã negar que negociações estejam em andamento.
Não estava claro se a mais recente rodada de negociações resultaria em um arranjo mais duradouro.
“Há progresso entre Omã e Irã em relação ao estreito, e esperamos um acordo em breve”, disse uma autoridade americana à Reuters na sexta-feira.
“Assim que o acordo for anunciado para restaurar a navegação comercial sem impedimentos, os Estados Unidos suspenderão o bloqueio aos portos iranianos.”
“Como sempre, as ações dos EUA continuarão condicionadas ao desempenho e vinculadas à implementação, pelo Irã, de seus compromissos”, acrescentou a autoridade.
A Guarda Revolucionária do Irã também afirmou neste sábado que a reabertura do Estreito de Ormuz depende de Washington aceitar as condições iranianas e não está relacionada às negociações entre Irã e Omã.
O porta-voz da Guarda, Hossein Mohebbi, não detalhou quais seriam essas condições, mas afirmou que Washington deve deixar de interferir no processo de negociações regionais.
“Sempre que os Estados Unidos aceitarem as condições do Irã, o Estreito de Ormuz certamente será reaberto”, disse ele, segundo a agência iraniana Tasnim.
Fontes dizem que acordo daria ao Irã algum controle.
Um acordo proposto entre Irã e Omã para ajudar a encerrar cinco meses de guerra entre Irã e Estados Unidos daria a Teerã controle sobre os navios que entram no Golfo pelo estreito, disseram à Reuters, na quarta-feira (5), uma fonte iraniana de alto escalão e duas autoridades da região. Trata-se de uma das maiores concessões já feitas ao Irã.
Autoridades americanas vêm insistindo repetidamente que jamais aceitariam que o Irã controlasse o acesso à mais importante rota de comércio de energia do mundo.
Não estava claro se Washington tentou alterar os termos do acordo.
O Irã tem usado as hostilidades para justificar a cobrança de pedágios sobre navios petroleiros. Essa prática, somada aos disparos contra embarcações que tentam atravessar o estreito sem sua autorização, provocou fortes interrupções no transporte global, elevando os preços da energia e alimentando a inflação.
A Abu Dhabi National Oil Company (Adnoc), uma das maiores produtoras de energia do mundo, informou na sexta-feira que 15 de suas embarcações foram atingidas em ataques que classificou como não provocados enquanto transitavam pelo Estreito de Ormuz desde o início do conflito.
Segundo a companhia, os ataques causaram a morte de um tripulante e deixaram outros 20 feridos.
A mídia iraniana frequentemente noticia ataques contra embarcações alegando que elas violaram determinações do Irã, sem especificar que o país estaria por trás dos ataques.
Os ataques iranianos contra o transporte marítimo no Estreito de Ormuz têm sido acompanhados pelo aumento das ações de seus aliados houthis no Iêmen, que têm atacado navios em outro ponto estratégico para o comércio de petróleo, localizado do outro lado da Península Arábica, entre o Mar Vermelho e o Golfo de Áden.