O Irã lançou mísseis e drones contra instalações militares dos Estados Unidos no Kuwait e no Bahrein na madrugada de domingo, logo após o presidente Donald Trump ameaçar eliminar a liderança iraniana caso ela não cumprisse o acordo provisório para encerrar a guerra.
Israel afirmou no domingo que havia atacado militantes armados do Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, no Líbano no sábado, apenas um dia depois de concordar com o mais recente cessar-fogo com o país vizinho para acalmar os combates. O Irã sustenta que tais confrontos devem cessar para que o acordo mais amplo seja mantido.
As forças armadas dos Estados Unidos informaram anteriormente que haviam atacado o Irã novamente, horas depois de um navio-tanque ter sido atingido no Estreito de Ormuz, a rota de transporte de energia mais importante do mundo, a qual Teerã manteve amplamente fechada durante a maior parte do conflito.
“Pode chegar um momento em que não seremos mais capazes de agir com razoabilidade e seremos forçados a concluir militarmente a tarefa que iniciamos com tanto sucesso”, disse Trump nas redes sociais. “Se isso acontecer, a República Islâmica do Irã deixará de existir!”, acrescentou.
O acordo de paz provisório de 14 pontos visava interromper os combates, iniciados pelos Estados Unidos e por Israel em 28 de fevereiro, e reabrir o estreito, enquanto prosseguiam as negociações sobre questões como o programa nuclear iraniano.
Uma rodada de negociações mediadas, liderada pelo vice-presidente JD Vance e pelo presidente do parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, foi realizada na Suíça há uma semana, e Washington suspendeu sanções contra Teerã. No entanto, os combates foram retomados e intensificados desde então.
Cerca de uma hora após a publicação de Trump, o exército do Kuwait informou que suas defesas aéreas estavam respondendo a ataques de mísseis e drones, enquanto o Bahrein relatou o acionamento de sirenes de alerta.
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã declarou, em comunicado, que suas forças navais e aéreas haviam realizado operações com mísseis e drones contra instalações militares dos Estados Unidos no Kuwait e no Bahrein.
A Guarda afirmou que os ataques dos Estados Unidos violaram o cessar-fogo e “resultarão na interrupção completa de todos os processos diplomáticos”, segundo a emissora estatal Press TV. O comando naval da Guarda Revolucionária declarou que as bases americanas na região “viverão um inferno nos próximos dias.”
Uma autoridade dos Estados Unidos, confirmando os ataques a instalações americanas, disse à Reuters que não houve relatos de baixas americanas ou danos significativos às instalações dos Estados Unidos no Oriente Médio, mas que a situação ainda estava em desenvolvimento.
Horas depois, alarmes soaram pela segunda vez no Bahrein, onde autoridades informaram que um ataque iraniano danificou um prédio residencial na província de Muharraq, sem registro de vítimas. O Bahrein instou o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unida (ONU) a realizar uma sessão de emergência para responsabilizar o Irã. O exército do Kuwait informou ter interceptado dois mísseis balísticos, sem danos ou vítimas.
O Comando Central dos Estados Unidos havia informado anteriormente que suas forças realizaram novos ataques após um navio-tanque com bandeira do Panamá ter sido atacado por um drone iraniano no sábado. “O Irã teve a chance de respeitar o acordo de cessar-fogo, mas optou por não fazê-lo”, afirmou o Comando Central em um comunicado.
Os ataques dos Estados Unidos foram “uma resposta direta à contínua agressão iraniana contra o transporte marítimo comercial” e visaram a instalações iranianas de vigilância militar, comunicações, defesa aérea, armazenamento de drones e lançamento de minas, segundo a nota.
Explosões foram ouvidas em Sirik, no sul do Irã, informou a emissora estatal iraniana IRIB, sem fornecer detalhes. A Guarda Revolucionária declarou: “Os disparos cegos da América em Sirik não acabarão com nosso domínio sobre o Estreito de Ormuz. Mas nossos disparos contra infratores lembrarão as demais embarcações sobre a rota de passagem livre.”
O ataque ao navio-tanque no estreito, ocorrido no sábado, seguiu-se a um ataque a um navio de carga na quinta-feira, que desencadeou a mais recente escalada de tensão.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que a responsabilidade de restaurar o tráfego marítimo no estreito aos níveis anteriores à guerra cabia exclusivamente a Teerã e pediu que outros não interviessem “na administração do estreito pelo Irã.”
Washington tem promovido uma rota ao sul, ao longo da costa de Omã, enquanto Teerã, que, em última análise, pretende cobrar taxas pelo uso do estreito, quer que os navios utilizem uma rota ao norte, através de suas águas e sob seu controle.
Centenas de navios retidos no estreito, que transportava um quinto do suprimento global de petróleo e gás natural liquefeito (GNL) antes do conflito, incluindo navios-tanque carregados de petróleo, começaram a partir nas últimas duas semanas, fazendo com que os preços do petróleo voltassem a patamares próximos aos anteriores à guerra.
Mesmo com a continuidade dos ataques na manhã de domingo, o navio porta-contêineres Galapagos, da CMA CGM, saiu do estreito no que a gigante do setor de transporte marítimo classificou como “um marco importante em um contexto regional que permanece complexo e exige vigilância constante.”
No Líbano, Israel afirmou no domingo ter matado militantes do Hezbollah armados com lançadores de granadas propelidas por foguete e ter atingido um lançador de foguetes na região de Nabatieh. Não houve reação imediata por parte do Hezbollah.
Israel, que não é signatário do acordo entre Estados Unidos e Irã, e o Líbano concordaram repetidamente com cessar-fogos mediados pelos Estados Unidos, sendo o mais recente na sexta-feira.
No entanto, essas medidas tiveram efeito limitado, com Israel insistindo que não se retirará do território libanês que ocupou, e o Hezbollah rejeita repetidamente os apelos para depor as armas enquanto as tropas israelenses permanecerem no local.
Israel, aliado dos Estados Unidos, invadiu o país em março, depois que o Hezbollah o atacou em apoio ao Irã. Araqchi afirmou que a retirada de Israel e a interrupção de seus ataques no Líbano eram exigências do acordo provisório com os Estados Unidos, cabendo a Washington interromper as operações.