Engenheira química, proprietária da JW Nutrition, em Santa Catarina, ela é a indústria que grandes marcas contratam para desenvolver e produzir seus suplementos em goma. Pioneira no formato no Brasil, Janaína ainda leva ao mercado sua própria marca, a DSTRAVA — dona da fórmula, da fábrica e da marca ao mesmo tempo.
Quando o suplemento em goma ainda era novidade no Brasil, Janaína Durães já estava formulando nesse formato. Hoje, a goma é o segmento que mais cresce na suplementação: a consultoria Mordor Intelligence estima que o mercado global saia de cerca de US$ 26 bilhões em 2025 para US$ 40 bilhões até 2031, e aponta a América do Sul, puxada pelo Brasil, como a região de expansão mais rápida. Ela chegou antes da onda — e chegou pela parte mais difícil, a técnica.
O país ajuda a explicar o timing. O Brasil é o terceiro onde a demanda por suplementos mais cresce no mundo, atrás apenas de Índia e China, com expansão anual projetada em 9,5% entre 2026 e 2036, segundo a Future Market Insights. Apostar em goma cedo, num mercado que só acelerou, colocou Janaína à frente de boa parte do setor.
E ela não ocupa só um elo dessa cadeia. No mercado de suplementos, a maioria das empresas ou formula, ou fabrica, ou vende marca no varejo. Janaína faz os três. Pela JW Nutrition, sua fábrica em Santa Catarina, desenvolve e produz gomas para outras marcas — inclusive nomes grandes, que a procuram justamente pela mão técnica por trás da formulação. E, com a DSTRAVA, coloca no mercado marca própria. É a indústria que as grandes contratam para fazer o produto delas e, ao mesmo tempo, dona da marca que assina — as duas coisas, sustentadas pela mesma competência.
A base dela é técnica antes de ser comercial. Formada em engenharia química e de alimentos, bacharel e licenciada em química, com formação também em física e matemática, entrou na indústria em 1997 e construiu a carreira em cima da formulação — a etapa em que a idéia de um produto vira algo que funciona, passa no controle de qualidade e pode ser fabricado em escala. Foi essa competência que sustentou os 15 anos à frente da JAD Consultoria, de onde liderou projetos de desenvolvimento de produto para empresas do setor, ligando ciência, formulação e leitura de mercado.
Pra mim sempre foi sobre a formulação. Ter a fábrica é o que garante que a fórmula chega no produto do jeito que eu desenhei — vale pra marca que me contrata e vale pra minha. – Janaína Durães
Construiu tudo isso num setor que ainda é majoritariamente masculino, sobretudo na indústria. Entrou pela ciência e firmou autoridade pela competência técnica — precisou provar antes o que de um homem no mesmo cargo já se presumiria de saída. É uma exigência a mais que não deveria existir. Ela resolveu no terreno onde é mais forte: o da fórmula, onde resultado não se discute, se mede.

E é na goma que está a especialização mais fina de Janaína. Desenvolver suplemento nesse formato é mais difícil do que a embalagem sugere: a dificuldade está em manter o princípio ativo estável dentro de uma base zero açúcar, com textura e sabor que o consumidor aceite, sem perder dose nem prazo de validade. É um desafio da formulação — o terreno em que ela trabalha há quase três décadas.
Goma parece simples porque é gostosa, mas é das formulações mais difíceis. Tem que estabilizar o ativo na dose certa numa base zero açúcar, sem comprometer a formulação. É aí que a parte técnica pesa. – Janaína Durães
Da fórmula desenhada no papel à goma que chega ao consumidor, Janaína encurtou uma distância que, no setor, costuma passar por várias empresas antes de virar produto. Desenvolve, fabrica e vende sob o mesmo comando, num formato que ela abraçou antes do mercado e que agora todo mundo corre atrás. Chegou cedo porque entendeu o produto por dentro — não como quem segue tendência, mas como quem sabe montar a fórmula que a sustenta.