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Mercado Livre começa a vender remédios (e redes de farmácia já sentem o efeito colateral)

Mercado Livre começa a vender remédios (e redes de farmácia já sentem o efeito colateral)

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Em setembro de 2025, o Mercado Livre começou a vender medicamentos com receita, ampliando sua atuação no setor farmacêutico após um ano de testes com produtos sem prescrição. A empresa planeja integrar até 20 redes de farmácias à sua plataforma até o final do ano.

O vice-presidente Fernando Yunes destacou que a demanda por esses produtos é alta e a conversão de vendas é superior a outros itens. Apesar de afirmar que a intenção não é competir, mas colaborar com as farmácias, as ações dessas redes caíram significativamente após o anúncio. O Mercado Livre também investe em logística, com entregas em até 60 minutos, e em inteligência artificial, com mais de 30 mil pequenas e médias empresas utilizando suas ferramentas.

O grupo planeja investir R$ 57 bilhões no Brasil até 2026, buscando expandir sua presença no e-commerce, que ainda tem grande potencial de crescimento no país.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Em setembro de 2025, a compra de uma pequena farmácia em São Paulo foi o atalho para que o Mercado Livre ensaiasse seus primeiros passos no setor, incialmente, com a oferta de medicamentos sem receita.

Um ano depois, a empresa está ampliando essa fórmula e avançando, literalmente, nesse balcão, ao anunciar que passará a vender remédios com prescrição – de antibióticos a canetas emagrecedoras, em sua plataforma, cujas prateleiras também passarão a abrigar as lojas e produtos de redes de farmácias em São Paulo.

Esse pacote veio embalado com novidades em outros braços do grupo, como a logística, com o lançamento de entregas até 60 minutos e da expansão da malha. E, em outra frente, no avanço da aplicação de agentes de inteligência artificial (AI), em particular, pelos sellers da plataforma.

“Esse um ano de piloto de farma foi surpreendente, tanto nas compras como na busca por produtos”, disse Fernando Yunes, vice-presidente executivo de commerce na América Latina e head da operação do Mercado Livre no Brasil, a jornalistas na tarde desta quinta-feira, 24 de setembro.

“E a conversão desses produtos é maior do que outros itens que temos na plataforma”, prosseguiu o executivo, sem revelar os indicadores coletados durante o período de um ano de testes nessa nova arena. “A demanda está ali, por isso estamos dando esse próximo passo”.

Yunes também não divulgou o nome das três redes de farmácias que vão inauguras suas lojas virtuais no marketplace já em outubro. Até o fim do ano, a projeção é de que pelo menos 20 bandeiras do setor estejam plugadas na plataforma.

Há um ano, a estreia do Mercado Livre em farmácias alimentou uma série de análises sobre o impacto que o grupo traria na concorrência. Entretanto, o executivo citou justamente a abordagem de abrir o marketplace para as redes do setor para rebater qualquer eventual efeito colateral com esse avanço.

Nesse sentido, ele citou parcerias recentes nesses mesmos termos fechadas com nomes que são concorrentes diretos da empresa no campo do e-commerce e dos marketplaces. Players como Casas Bahia e, mais recentemente, o Magazine Luiza começaram a vender produtos no Mercado Livre.

“O Magazine Luiza e a Casas Bahia, por exemplo, tem toda a logística de pesados e a compra desses produtos. Nós temos todo o tráfego e um app intuitivo”, afirmou. “Com as farmácias, gostaríamos que isso fosse análogo. A ideia não é competir com elas, e sim, tê-las vendendo no Mercado Livre”.

O fato é que, apesar desses argumentos, as ações das redes de farmácias listadas fecharam o pregão de hoje com forte queda. O maior recuo, de 8%, foi da Pague Menos. Já os papéis da RD Saúde e da Panvel caíram, respectivamente, 5,38% e 4,90%.

Listadas na Nasdaq, as ações do Mercado Livre, por sua vez, encerraram o dia com queda de 2,51%, avaliando a empresa em US$ 88,9 bilhões. No aftermarket, os papéis tinham um ligeiro recuo de 0,14%.

Além do mercado de capitais, em outro capítulo polêmico desse roteiro, Yunes falou sobre eventuais barreiras impostas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a venda de medicamentos com prescrição em plataformas online.

No entendimento do Mercado Livre, a regulação recente que estabeleceu a instalação de farmácias nas dependências de supermercados e posicionamentos recentes da própria Anvisa dão sustentação a essa estratégia.

No modelo a ser adotado pelo marketplace, a receita vai ser enviada a um farmacêutico da própria plataforma, que fará todas as conferências. Concluído esse processo, o produto será enviado para a área de logística e seguir o roteiro para a entrega na casa dos consumidores.

A venda nessas novas categorias terá como ponto de partida São Paulo e região metropolitana. O plano é expandir gradualmente essa oferta para outras praças. Esse também vai ser o percurso da nova modalidade de entregas de até 60 minutos.

Esse formato já está sendo testado em alguns bairros de São Paulo e os medicamentos – com e sem prescrição – serão justamente uma das categorias que estarão incluídas nessas entregas já nessa largada, seja pela própria operação do Mercado Livre ou das farmácias plugadas na plataforma.

Ainda em logística, onde já soma 3,3 milhões de metros quadrados ocupados, a companhia anunciou a abertura de 20 grandes centros até o fim de 2026. Com esse reforço, o grupo vai fechar o ano com 72 estruturas na área, com modalidades que vão do fulfillment até cross-dockint e receiving centers.

Na operação do grupo, quem também está ocupando cada vez mais espaço é a inteligência artificial. Em 2025, o Mercado Livre, que tem mais de 20 mil desenvolvedores na América Latina, investiu US$ 2,3 bilhões em tecnologia. Boa parte dessa cifra foi destinada à IA.

Além de áreas como compras, pagamentos, crédito e prevenção a fraude, esse investimento está se refletindo na escalada do uso de agentes de IA por parte dos sellers que estão cadastrados no marketplace, especialmente com um assistente de vendas e um assistente de anúncios.

“Já temos mais de 30 mil pequenas e médias empresas usando nosso assistente de vendas”, disse Roberta Donato, vice-presidente de marketplace do Mercado Livre. “E, em anúncios, hoje, mais de 10 mil sellers recebem semanalmente propostas de melhorias nas campanhas, sendo que 30% já aceitam”.

Essas e outras iniciativas estão dentro do escopo do plano de investimentos de R$ 57 bilhões do Mercado Livre para 2026 no Brasil. Em 2018, o montante aportado foi de R$ 1 bilhão, o que dá uma medida do apetite da empresa para seguir turbinando o seu ecossistema e ganhando terreno no País.

“Nos últimos 10 anos, nós multiplicamos nosso GMV por dez. No Mercado Pago, nosso TPV era de R$ 6 bilhões. Hoje, é de R$ 340 bilhões”, disse Yunes. “A penetração do e-commerce no Brasil ainda é =de 17, 18%. Então, ainda vemos um espaço enorme para seguir crescendo”.



Ceará Agora e Diário do Nordeste

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