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Nos EUA, esquerda e direita lutam para atrair eleitores latinos | Mundo

Ativistas da organização de direita Iniciativa LIBRE pedem votos para o republicano Gabe Evans em Brighton, Colorado — Foto: REUTERS/Kevin Mohatt

Gerardo Verdugo votou em Donald Trump em 2024 na esperança de um renascimento econômico.

Em vez disso, as tarifas do presidente americano elevaram o preço dos produtos importados vendidos em sua loja de doces mexicanos em Commerce City, nos arredores de Denver. As imagens de agentes de imigração prendendo latinos como ele aumentaram ainda mais sua desilusão.

Mas isso não significa que ele esteja pronto para votar nos democratas. “Estou meio que em cima do muro agora”, disse Verdugo, de 24 anos, com um longo suspiro.

O oitavo distrito congressional do Colorado, onde 40% da população se considera latina, sempre foi competitivo. Um democrata venceu ali em 2022, o republicano Gabe Evans venceu em 2024 e, agora, em 2026, o distrito está novamente em disputa.

Nas eleições de meio de mandato, em novembro, Evans enfrentará o vencedor das primárias democratas de terça-feira (30) entre Manny Rutinel, deputado estadual de origem dominicana e americana, e Shannon Bird, ex-deputada estadual.

Os latinos são um dos grupos demográficos mais voláteis do eleitorado americano, mostram as pesquisas, e suas alianças políticas tendem a mudar ao sabor dos ciclos econômicos. Eles formaram uma parte crucial da coalizão que elegeu Trump na última eleição e voltarão a ser importantes este ano, enquanto os democratas tentam reconquistar a maioria na Câmara dos Representantes.

A popularidade do presidente entre os latinos que o apoiaram em 2024 caiu mais de um quarto, segundo uma pesquisa do instituto Pew realizada em abril. Apenas 27% de todos os eleitores latinos aprovam o desempenho de Trump, ante 36% no início do segundo mandato, segundo pesquisa Reuters/Ipsos divulgada neste mês.

Mas essa perda de apoio ainda não se transformou em uma onda pró-democratas.

Uma pesquisa bipartidária realizada em maio com 3.000 eleitores latinos pela BSP Research e pela Shaw & Company, encomendada pela ONG pró-imigração UnidosUS, revelou que um em cada cinco entrevistados continua indeciso para as eleições de meio de mandato, com “ambos os partidos apresentando níveis de apoio inferiores aos de 2024”. As quatro principais preocupações dos eleitores estão relacionadas à economia.

“Se eles conseguirem melhorar meu custo de vida… estou aberto a ouvir”, disse Gabriel Sanchez, da BSP, ao descrever o pensamento predominante.

Esse foi o sentimento central das entrevistas com mais de 50 eleitores, ativistas e estrategistas políticos no oitavo distrito do Colorado. Muitos moradores estão cansados de Trump, mas também da política tradicional. E ainda esperam pelo surgimento de candidatos que mereçam seus votos.

Cada partido enfrenta seus próprios desafios, disseram analistas. Os republicanos estão atrelados a um presidente impopular e ainda não conseguiram mobilizar a base que ajudou Trump a conquistar os latinos; os democratas estão à frente na mobilização, mas lutam para convencer os eleitores de que conseguirão reduzir o custo de vida.

O Comitê Nacional Republicano para o Congresso considera o oitavo distrito do Colorado um entre dezenas de disputas legislativas nacionais nas quais os eleitores latinos podem ser decisivos, segundo uma fonte familiarizada com a estratégia do partido.

Para ampliar seu apelo junto a esse eleitorado, os republicanos planejam destacar a “Big Beautiful Bill”, principal conquista legislativa de Trump, que reduziu os impostos sobre gorjetas em um país onde muitos trabalhadores dependem delas. Ao mesmo tempo, pretendem permitir que seus candidatos se distanciem das políticas de imigração do presidente, disse a fonte.

Evans, neto de um imigrante mexicano, é um dos defensores da Lei DIGNIDAD, uma proposta de reforma migratória bipartidária que combina segurança na fronteira com um caminho para a cidadania de imigrantes indocumentados que vivem no país. Ele também aposta em suas origens na classe trabalhadora para se conectar com os latinos preocupados com o custo de vida.

Mas Denise Galvez Turros, cofundadora do grupo Latinas por Trump, fundamental para mobilizar apoio ao presidente em 2024, afirmou que o entusiasmo dos eleitores ainda não se refletiu nas campanhas de meio de mandato. Segundo ela, seu grupo foi criado para eleger Trump, e não necessariamente para apoiar outros candidatos republicanos.

As eleitoras latinas que ela incentivou em 2024 “não se importam tanto com o que acontece no Partido Republicano”, afirmou, acrescentando que muitas talvez prefiram não votar nas eleições de novembro.

Enquanto isso, os esforços de mobilização têm sido conduzidos principalmente por grupos conservadores, como a Iniciativa LIBRE, que já bateram às portas de milhares de eleitores neste ano para pedir apoio a Evans.

Ativistas da organização de direita Iniciativa LIBRE pedem votos para o republicano Gabe Evans em Brighton, Colorado — Foto: REUTERS/Kevin Mohatt

Angel Merlos, consultor da LIBRE no Colorado, afirmou que as pessoas com quem conversa expressam “grandes preocupações” em relação a Trump e permanecem “meio em cima do muro”.

Os candidatos republicanos deveriam falar mais sobre cortes de impostos, mas também sobre sua disposição de colaborar com a oposição em Washington. Questionado sobre se o partido tem feito o suficiente para preservar sua maioria no Senado e na Câmara, Merlos respondeu que “sempre é possível fazer mais”.

Stacy Suniga, que fundou a apartidária Coalizão Latina do Condado de Weld em 2020, espera que os democratas consigam conquistar o oitavo distrito, mas é direta ao apontar as fraquezas do partido.

“De um lado, você tem Trump e suas promessas não cumpridas… e, do outro, os democratas querendo fazer as coisas do jeito de sempre”, disse ela, sugerindo que os candidatos adotem propostas econômicas de esquerda mais ambiciosas.

Em um debate eleitoral realizado neste mês, tanto Rutinel quanto Bird destacaram o custo de vida e os cortes promovidos por Trump no Medicaid, programa público de saúde voltado para pessoas de baixa renda, em uma estratégia alinhada à campanha nacional democrata.

O Comitê Democrata de Campanha para o Congresso lançou uma campanha publicitária de mais de US$ 10 milhões voltada para eleitores latinos e rurais, responsabilizando os republicanos pelas tarifas de Trump, pelos cortes em benefícios alimentares e pelo aumento do preço da gasolina.

Organizações alinhadas aos democratas também estão intensificando seus esforços.

A Mi Familia Vota começou a visitar eleitores em Fort Lupton, ao norte de Commerce City. A Voto Latino vem testando mensagens sobre custo de vida em 20 dos estados mais competitivos e estabelecendo parcerias com organizações latinas da Universidade do Norte do Colorado para registrar eleitores em agosto.

“É simplesmente uma oportunidade imensa de virar o distrito”, disse a diretora-executiva da Voto Latino, Beatriz Lopes.

Eleitores como Olivia Dominguez, de 61 anos, proprietária de um salão de beleza em Fort Lupton, são um alvo ideal para os democratas. O aluguel do salão subiu 50% recentemente, e quase todos os produtos de beleza que ela utiliza ficaram mais caros.

Mas, segundo ela e muitos outros eleitores, o governo do ex-presidente Joe Biden também foi marcado por preços elevados da gasolina e inflação persistente. O que ela e outros realmente procuram agora são planos concretos para melhorar suas vidas.

Dominguez afirmou que votará “em qualquer um que tenha alguma ideia na cabeça sobre [como melhorar] a economia”. (Tradução de Patrick Brock)



Valor Econômico

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