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O provisório que permanece

Leandro Pereira

Toda organização convive com soluções provisórias.

Um processo improvisado enquanto o sistema não chega.

Uma planilha criada para atravessar uma emergência.

Uma responsabilidade assumida até que a nova estrutura seja definida.

Um fluxo alternativo para não interromper a operação.

O provisório é uma resposta legítima à realidade. Ele permite avançar antes que todas as condições estejam prontas.

No mercado de software, esse acúmulo costuma ser chamado de débito técnico.

Eu prefiro uma expressão mais simples: amarrar com arame.

Resolve.

Sustenta.

Permite seguir.

O fenômeno interessante acontece depois.

A urgência passa.

O contexto muda.

Mas a solução permanece.

Não porque alguém tenha decidido torná-la definitiva. Apenas porque ela começou a funcionar bem o suficiente para deixar de chamar atenção.

Com o tempo, o improviso ganha rotina.

A rotina ganha responsáveis.

Os responsáveis criam controles.

E aquilo que nasceu para durar algumas semanas passa a fazer parte da arquitetura da organização.

Nem sempre existe um momento claro em que o temporário se torna permanente.

Essa transformação acontece silenciosamente.

Um processo repetido muitas vezes começa a parecer natural.

Uma exceção frequente passa a ser tratada como regra.

Uma adaptação deixa de ser percebida como adaptação.

O Executivo Nexialista observa essas permanências com curiosidade.

Não para eliminar tudo o que nasceu de forma improvisada. Algumas das melhores soluções surgem assim.

Mas para compreender se aquilo ainda responde ao problema que lhe deu origem.

Há provisórios que revelam caminhos melhores do que o plano original.

Outros apenas continuam existindo porque ninguém voltou a observá-los.

Toda organização carrega marcas das circunstâncias que atravessou.

Decisões tomadas durante uma expansão.

Processos criados em uma crise.

Estruturas herdadas de outro momento.

Elas contam a história do sistema.

E também mostram como o passado continua participando do presente.

Algumas coisas permanecem porque provaram seu valor.

Outras porque o arame continuou firme o bastante para ninguém se lembrar de substituí-lo.

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