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Setor de papel e celulose projeta recuperação de preços no 2º trimestre, mas câmbio segue como risco | Empresas

 — Foto: Divulgação/Klabin

O setor de papel e celulose no Brasil encerrou o primeiro trimestre de 2026 apresentando um desempenho operacional resiliente, embora os resultados financeiros tenham sido pressionados pela valorização do real frente ao dólar.

De acordo com os balanços financeiros da Suzano e Klabin, as duas maiores empresas do segmento no país, o cenário para o 2º trimestre sinaliza uma continuidade na tentativa de recomposição de preços globais, apesar de desafios persistentes na estrutura de custos e na dinâmica de demanda entre o Ocidente e a Ásia.

De janeiro a março, a valorização da moeda brasileira foi o principal opositor dos resultados das exportadoras. Segundo os relatórios de resultados, a Suzano registrou receita líquida de R$ 10,9 bilhões, queda de 5% na comparação anual, enquanto a Klabin reportou receita de R$ 4,9 bilhões, leve avanço de 2%.

Conforme apontado pelo BB Investimentos (BB-BI), esse desempenho reflete a retração da taxa de câmbio, que recuou 10,3% desde o início do ano, diminuindo a conversão das vendas realizadas em dólar.

A Suzano reportou um resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado de R$ 4,6 bilhões, redução de 6% ante o mesmo período de 2025. De acordo com a companhia, a melhora nos preços médios em dólar foi “mais do que compensada pela apreciação do real”.

No caso da Klabin, o Ebitda ajustado somou R$ 1,7 bilhão, retração de 10% versus o primeiro trimestre de 2025, impactado também pela parada programada de manutenção na unidade Monte Alegre (PR).

Para o 2º trimestre, as empresas indicam cenários distintos conforme a geografia. De acordo com o acompanhamento de mercado do Itaú BBA, os fundamentos da celulose de fibra curta estão mais apertados e favoráveis a reajustes na Europa e nos Estados Unidos, impulsionados pela forte demanda do segmento de papéis sanitários.

A Suzano confirmou que implementou integralmente os aumentos de preços de US$ 50 por tonelada anunciados para abril e está preparando novos reajustes para maio nos mercados ocidentais.

Em contrapartida, segundo a análise da Ativa Investimentos, a China apresenta um ambiente mais desafiador. Na região asiática, o reajuste de abril foi de apenas US$ 20 por tonelada, e não houve novos repasses para maio, devido à maior disponibilidade de fibras alternativas e à queda nos preços da fibra longa, que limita o espaço para a valorização da fibra curta.

Em relação à estratégia operacional, a Suzano indicou que deve focar na recomposição de estoques ao longo do segundo trimestre, após operar com níveis mínimos no início do ano. De acordo com o Itaú BBA, espera-se que os volumes de vendas fiquem estáveis no curto prazo, com crescimento mais acentuado previsto apenas para o segundo semestre de 2026, período sazonalmente mais forte.

Do lado dos custos, o cenário pede cautela. Segundo a Klabin, o conflito no Oriente Médio pode elevar os gastos atrelados ao petróleo, especialmente o diesel e o frete internacional. A Suzano estimou que, caso o preço do barril de petróleo Brent se mantenha em patamares elevados (em torno de US$ 104), poderá haver um impacto negativo de aproximadamente R$ 810 milhões no caixa da companhia nos próximos dois anos, embora esse risco seja parcialmente mitigado por estratégias de proteção financeira.

Apesar dessas pressões, a Suzano reiterou a meta de manter o custo caixa de produção de celulose próximo a R$ 800 por tonelada em 2026. Já na Klabin, a expectativa, segundo o Itaú BBA, é que o foco permaneça na disciplina de capital e no processo de desalavancagem, com a conclusão do atual ciclo de grandes investimentos prevista para o final de 2026.

Os analistas têm opiniões distintas sobre a atratividade das ações do setor. O BB-BI sustenta recomendação de compra para ambas as companhias, argumentando que os papéis estão sendo negociados com descontos significativos (em torno de 20% a 22%) em relação às suas médias históricas de valor de mercado sobre lucro operacional.

Por outro lado, a Ativa Investimentos mantém uma postura neutra para a Suzano, citando uma execução operacional “mista” e a ausência de catalisadores claros de valorização no curto prazo. O Itaú BBA também adota cautela com a Klabin, priorizando a análise da capacidade de geração de caixa livre da empresa após o término de seus projetos de expansão.

Segundo o consenso dos analistas, o desempenho do setor no curto prazo continuará dependente da estabilidade geopolítica e, sobretudo, da volatilidade da taxa de câmbio no Brasil, que segue como o principal fator de incerteza para a rentabilidade das companhias.

— Foto: Divulgação/Klabin



Valor Econômico

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