O tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz estava praticamente paralisado nesta quinta-feira, segundo dados e fontes, à medida que os riscos para a navegação aumentaram após os Estados Unidos retomarem ataques aéreos contra o Irã, provocando uma retaliação de Teerã no Golfo Pérsico.
Apenas dois petroleiros haviam cruzado o estreito nas primeiras horas desta quinta-feira. Entre eles estava o superpetroleiro de petróleo bruto Berg 1, que carregou na ilha iraniana de Kharg e está sujeito a sanções americanas, segundo análise da Kpler.
O navio-tanque de produtos químicos Well Sail, de bandeira das Ilhas Marshall, também atravessou o estreito, mostrou a análise da Kpler. Seu último local de carregamento foi próximo a Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos, segundo dados de rastreamento de navios da Lseg.
Fontes do setor de navegação disseram que as embarcações estão desligando cada vez mais seus transponders públicos do sistema de rastreamento AIS, dificultando a visualização de todos os navios que cruzam a região.
“O tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz praticamente parou, o que diz mais sobre a percepção de risco neste momento do que qualquer declaração feita por Washington ou Teerã”, escreveu Jorge Leon, chefe de análise geopolítica da Rystad Energy, em um relatório.
As Forças Armadas iranianas lançaram ataques contra infraestrutura militar americana em Estados vizinhos do Golfo nesta quinta-feira, em resposta aos ataques dos EUA contra províncias costeiras do sul e do leste do Irã, aumentando ainda mais a pressão sobre uma trégua que durava três semanas.
A mais recente escalada no conflito de quatro meses começou no início desta semana, com ataques contra três petroleiros no estreito, pelos quais os Estados Unidos responsabilizaram Teerã.
A Marinha da Guarda Revolucionária do Irã afirmou nesta quinta-feira que os ataques americanos ao país e a intervenção para redirecionar a navegação estão prejudicando a reabertura gradual do estreito e advertiu que qualquer nova intervenção dos EUA provocará uma “resposta devastadora“.
O Estreito de Ormuz respondia por cerca de um quinto da oferta global de petróleo antes de a guerra começar, em 28 de fevereiro, com ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
O tráfego diário nas últimas duas semanas havia alcançado os níveis mais altos desde o início da guerra, com média de 40 embarcações cruzando o estreito por dia, ainda muito abaixo da média pré-conflito, de 125 a 140 travessias diárias.
Ataque a navio de GNL expõe risco para embarcações de alto valor
Algumas seguradoras especializadas em riscos de guerra recomendaram às empresas de navegação que suspendam viagens pelo estreito, enquanto outras estão revisando os termos de suas apólices após a nova onda de ataques a embarcações, disseram fontes do setor de seguros à Reuters.
“A história da reabertura de Ormuz parece mais frágil após a mais recente escalada”, afirmou a corretora marítima Clarksons em relatório.
Uma das três embarcações atingidas nesta semana, o navio-tanque qatari de gás natural liquefeito (GNL) Al Rekayyat, de bandeira das Ilhas Marshall, permanece à deriva e aguarda operações de salvamento na costa de Omã após ter sido atingido por um projétil na noite de terça-feira, o que provocou um incêndio na casa de máquinas.
Apesar dos temores iniciais de uma explosão, fontes do setor disseram que esse risco é baixo por enquanto e que a carga de gás natural liquefeito parece estar segura.
O registro naval das Ilhas Marshall, um dos principais registros de bandeira do mundo, informou à Reuters que não houve relatos de feridos nem de impactos ambientais em decorrência do incidente envolvendo o Al Rekayyat.
“Como demonstraram os incidentes recentes, o mercado de seguros marítimos contra riscos de guerra enfrenta agora a perspectiva de perdas potencialmente severas envolvendo embarcações de valor substancial”, disse um subscritor desse mercado, que pediu para não ser identificado devido à sensibilidade da situação.