O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira a suspensão temporária da operação “Projeto Liberdade”, iniciativa lançada por Washington para escoltar navios comerciais pelo Estreito de Ormuz, embora o bloqueio naval americano contra o Irã permaneça em vigor.
Em publicação na Truth Social, Trump afirmou que a pausa tem como objetivo avaliar se um acordo para encerrar o conflito pode ser finalizado e assinado.
“O Project Freedom (a movimentação de navios pelo Estreito de Ormuz) será pausado por um curto período”, escreveu. Segundo o presidente, a decisão foi tomada “com base no pedido do Paquistão e de outros países”, bem como no “tremendo sucesso militar” e no “grande progresso” rumo a um acordo.
Até terça-feira à noite, o Irã não havia se pronunciado sobre a decisão.
O anúncio representa uma mudança de tom após um dia de declarações contraditórias em meio à disputa pelo estreito, marcado por novos confrontos na via marítima e ataques contra os Emirados Árabes Unidos, apesar de autoridades americanas insistirem que o cessar-fogo firmado há menos de um mês segue em vigor.
“Neste momento, o cessar-fogo certamente se mantém, mas vamos continuar monitorando a situação com muita atenção”, afirmou o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, antes do anuncio de Trump. Segundo ele, os EUA conseguiram garantir uma rota segura no estreito, e centenas de navios comerciais já se preparam para atravessá-lo.
“Estamos garantindo que temos controle sobre esse estreito — e temos”, completou.
Do lado iraniano, a narrativa é oposta. A emissora estatal qualificou o esforço americano como “um fracasso” e afirmou que o controle iraniano sobre a via marítima “se intensificou”. Teerã também anunciou um novo protocolo para navios que desejam transitar pela via, exigindo que as embarcações recebam um e-mail oficial autorizando a passagem, informou a emissora estatal Press TV.
Pouco depois da declaração de Hegseth, o Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos afirmou que suas defesas aéreas estavam novamente lidando com ataques de mísseis e drones provenientes do Irã, embora o comando militar conjunto iraniano tenha negado a realização de tais ataques.
Em paralelo às tensões no Golfo, um cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah — grupo apoiado pelo Irã — também mostrou sinais de fragilidade, com novos confrontos no sul do Líbano. De acordo com a agência estatal libanesa NNA, aviões israelenses atacaram as cidades de Kafra, Baraashit e Safad al-Battikh. As localidades de Kounine e Beit Yahoun, na região de Bint Jbeil, foram atingidas por artilharia e, posteriormente, por ataques aéreos.
Em entrevista, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse na terça-feira que a paz entre Israel e Líbano é possível, mas o grupo libanês Hezbollah é um empecilho.
Mais cedo, Trump sugeriu a repórteres no Salão Oval que o Irã sabe quais ações violariam o cessar-fogo. Ele minimizou ataques recentes iranianos contra embarcações americanas, considerando-os “menores”, mas não especificou o que consideraria uma violação. “Eles sabem o que não fazer para não violar a trégua”, disse. “Eles deveriam acenar com uma bandeira branca, se render e aderir a um acordo.”
Já o Irã ironizou a atuação dos EUA em Ormuz como “Projeto Impasse” e o qualificou como uma violação do cessar-fogo, apesar de afirmar que negociações mediadas pelo Paquistão avançam.
“Os acontecimentos em Ormuz deixam claro que não há solução militar para uma crise política”, disse o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi. “Os EUA devem tomar cuidado para não serem arrastados de volta a um atoleiro por interesses alheios.”