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Um estádio, três bancos: o que explica o interesse de BTG Pactual, Nubank e Itaú pela arena do Palmeiras

Um estádio, três bancos: o que explica o interesse de BTG Pactual, Nubank e Itaú pela arena do Palmeiras

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O estádio do Palmeiras conta com a participação de três grandes bancos brasileiros: Nubank, BTG Pactual e Itaú.

O Nubank assumiu o naming rights da arena, agora chamada Nubank Parque, em abril de 2026, com um contrato de 18 anos avaliado em R$ 900 milhões.

O BTG Pactual se tornou sócio majoritário na gestão do estádio ao adquirir participação da WTorre, que administra a arena, visando amortizar créditos e diversificar investimentos.

O Itaú, por sua vez, atua através da plataforma Itaú Live, promovendo shows e eventos no estádio, com um contrato de cinco anos com a 30e para a realização de 800 shows em vários locais, incluindo o estádio do Palmeiras.

A presença dos três bancos no mesmo espaço é inédita e reflete o potencial do mercado de eventos ao vivo no Brasil, que deve alcançar R$ 8,46 bilhões em 2025.

A busca por associar suas marcas ao estádio demonstra a força do empreendimento e sua qualidade para eventos.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

A arena do Palmeiras conseguiu um feito, no mínimo, curioso, quando não raro: reuniu no mesmo gramado a participação de três grandes bancos brasileiros: Nubank, BTG Pactual e Itaú.

Há casos ao redor do mundo em que uma instituição financeira assume os naming rights do estádio, como o próprio Nubank, que dá nome ao Nu Stadium, onde atua o Inter Miami, nos Estados Unidos, time de Lionel Messi.

Mas em nenhum caso no mundo a situação é semelhante ao estádio do time liderado por Abel Ferreira. No caso do Palmeiras, os bancos chegaram em momentos diferentes, com atuações bem delimitadas.

O Nubank assumiu o patrocínio do estádio, que inclui o direito ao nome da arena, em abril deste ano, no lugar da seguradora Allianz. Desde então, o estádio passou a se chamar Nubank Parque.

O contrato tem duração de 18 anos e gira em torno de R$ 50 milhões por ano, o que atinge um montante de R$ 900 milhões no período total do acordo. Essa é uma das maiores apostas físicas no Brasil de um banco que surgiu no ambiente digital e hoje tem o maior volume de clientes no país para uma instituição privada (118 milhões).

O Itaú, por sua vez, atua via o Itaú Live, uma plataforma de música que celebrou, em março deste ano, contrato de cinco anos com a 30e, maior companhia de entretenimento no Brasil.

E, por fim, o BTG Pactual acaba de assumir a administração do estádio, comprando uma fatia majoritária da WTorre, que construiu a arena e tem direito de exploração da casa do Palmeiras até 2044 – a empresa ainda mantém uma fatia minoritária.

O NeoFeed teve acesso ao processo que tramita desde sexta-feira, 18 de setembro, no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que analista os termos do acordo societário.

O documento mostra que o fundo de investimento em direitos creditórios Alternative Assets I, veículo de investimento controlado pelo BTG, é quem está, de fato, adquirindo participação da Real Entretenimento Participações. É ela que detém 100% da Real Arenas, empresa criada justamente para desenvolver e administrar a arena do clube paulistano.

A exploração envolve os negócios relacionados à exploração da arena, como shows, eventos, partidas esportivas, patrocínios, contratos de publicidade, camarotes e estacionamento – exatamente o que fazia a WTorre até então.

Pelo documento enviado ao Cade, o BTG explica que a transação tem dois objetivos claros: amortizar créditos que o banco já possui com o grupo WTorre, mediante a capitalização de parte desses créditos; e ampliar e diversificar os investimentos da instituição.

Na prática, a WTorre tem hoje uma dívida a ser equacionada com o BTG. Em vez de a relação ser resolvida exclusivamente em dinheiro, parte dos créditos será convertida em participação societária na empresa que controla a arena.

O crédito do BTG vem de uma dívida original da WTorre com o Banco do Brasil. Em 2024, a Enforce, que é uma gestora de créditos do grupo BTG, comprou do banco estatal a carteira de créditos da empresa, relacionada diretamente ao financiamento da construção da arena. O crédito girava em torno de R$ 650 milhões.

Demonstração contábil de 2024 da WTorre, que o NeoFeed também teve acesso, mostra que, em maio daquele ano, a Enforce adquiriu as cédulas de crédito bancário e que, no mês seguinte, a Travessa Securitizadora, também do BTG, ajuizou uma ação para vencimento antecipado das parcelas.

Como as parcelas estavam adimplentes, o processo correu na Justiça e, no início de setembro, BTG e WTorre informaram à Justiça que estavam em “tratativas avançadas para celebração de um acordo para pôr fim a este litígio”. Em 18 de setembro, então, anunciaram a conclusão da negociação.

Ainda como consta no relatório, o BTG informa que esta não é a primeira participação da companhia no mercado de grandes eventos em arenas esportivas. O banco afirma ter participação acionária no estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, casa do Internacional, sem revelar o percentual.

“A operação não tem o potencial de gerar quaisquer efeitos anticompetitivos no mercado brasileiro de entretenimento ao vivo, motivo pelo qual as partes pedem que seja aprovada sem restrições sob rito sumário”, diz o documento assinado por BTG e WTorre, ao solicitar a aprovação do negócio.

De qualquer forma, um dado importante no documento enviado ao Cade mostra o tamanho do potencial dos eventos no País e que, de certa forma, atraiu, três bancos para orbitar sobre o mesmo espaço físico, mesmo que em atuações separadas.

Segundo eles, o mercado brasileiro de eventos ao vivo no Brasil em 2025 alcançou R$ 8,46 bilhões, de acordo com dados da Associação Brasileira de Empresas de Eventos (Abeoc).

É nesse espaço que o Itaú tem interesse. O contrato do Itaú com a 30e envolve a realização de 800 shows no período em vários locais, incluindo o Nubank Parque. Pela plataforma do Itaú são realizadas as vendas dos ingressos e outros benefícios para clientes.

Segundo o banco, desde o início da parceria de fato, em dezembro de 2025, já foram divulgados mais de 30 shows e oito turnês confirmadas, como o show da Xuxa, e os encontros de Zeca Pagodinho, Alcione e Jorge Aragão.

O Itaú não informa oficialmente quantos desses shows serão realizados no estádio do Palmeiras. Só que, por ano, mais de 100 eventos são realizados na arena e por vários promotores.

Para Eduardo Tomiya, especialista em branding, a procura de grandes instituições financeiras em, de alguma forma, associar suas marcas ao estádio do Palmeiras, mostra a força do empreendimento, principalmente em relação à qualidade para realização de eventos.

“Não há algo parecido no mundo. O ativo é excelente. Um espetáculo na arena é fantástico, tem boa acústica e é bem localizado. A arena é o principal palco de shows no Brasil. Isso explica a disputa por espaço, no mercado financeiro, na cabeça do consumidor”, diz Tomiya.

Procurados pelo NeoFeed, Nubank e BTG não responderam. O Itaú explicou como funciona o Itaú Live e a parceria com a 30e. “A iniciativa potencializa toda a atuação do banco nesse território, reunindo shows, festivais e conteúdo.”



Ceará Agora e Diário do Nordeste

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