O comando da Azzas disse nesta quinta-feira (13), em teleconferência com analistas, que o processo envolvendo o futuro da marca Farm Rio — que pode passar pela venda da empresa — segue em fase de “preparação”, afirmou Alexandre Birman, CEO da empresa. Ele disse ainda que o Morgan Stanley segue à frente das tratativas envolvendo a marca, e afirmou que a Farm teve um forte crescimento nos últimos anos, e que o grupo entende que a Farm entrou num período em que precisa passar por um novo ciclo de investimento.
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Sobre as diferenças na gestão envolvendo ele e seu sócio Roberto Jatahy, ex-CEO do Grupo Soma, Birman ainda afirmou que há um grupo de pessoas focado apenas em avançar com as “questões societárias” a serem negociadas entre ambos para que a administração coloque o foco na operação da Azzas.
A companhia publicou na noite de quarta-feira (12) o seu balanço do segundo trimestre.
Já a respeito da atual situação operacional do grupo, Birman disse que há um “senso de urgência envolvendo a empresa muito grande” . Os resultados de abril a junho foram novamente fracos, depois de um primeiro trimestre já de números abaixo do potencial das marcas.
Há efeito de um cenário macroeconômico mais difícil, que já vem afetando o balanço do grupo há alguns trimestres, além de questões relacionadas à decisões da gestão da empresa que impactaram na receita.
A empresa foca hoje na estabilização dos estoques dos franqueados para tentar melhorar vendas e voltar a ter alavancagem operacional, que foi perdida neste ano. O excesso de estoque reflete uma queda de demanda, segundo analistas.
Nesse cenário, a Azzas sentiu no balanço os efeitos que precisou fazer na sua cadeia de venda ao consumidor e na relação comercial com franqueados na área de calçados e bolsas.
Com isso a receita caiu, afetada pelo duro ajuste volumes estocados dos franqueados, algo decidido de forma deliberada, que fez a rede atrasar a entrega da coleção verão de 2026.
O que aconteceu foi que a priorização da redução dos estoques dos franqueados na unidade de “shoes e bags”, com o objetivo de viabilizar uma retomada sustentável do crescimento, levou a uma menor participação de faturamento da coleção verão no trimestre versus um ano atrás, devido à necessidade de equilibrar esses números com o ritmo da venda no varejo.
Nesse cenário, a receita bruta atingiu R$ 3,4 bilhões, redução de 7,1% em relação ao abril a junho de 2025, impactada principalmente pela queda de 13,6% nos canais de “sell-in” (venda de franquias e multimarcas).
A Azzas afirmou aos analistas que acredita que normalizará essa situação no segmento de calçados e bolsas já nos próximos trimestres.
Para Birmam, margem bruta, ciclo financeiro e geração de caixa foram os pontos fortes do trimestre, e receita, despesas e margem ebitda foram as fraquezas. O Ebitda mede lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação.
A margem bruta da empresa foi de 57,2%, alta de 1,3 ponto percentual frente ao ano anterior. Houve redução de 31 dias no ciclo financeiro (que mede prazo de pagamento, de recebimento de cliente e estoques), com destaque para dias de estoque, que recuou de 15 dias.
A geração de caixa operacional atingiu R$ 356,5 milhões, superando em 3,4 vezes o caixa gerado no ano anterior.
Sobre despesas, houve alta de 4,3%, acima do ritmo da receita, para R$ 1,29 bilhão. O peso na receita líquida passou de 37,7% para 43,3%.
A margem Ebitda foi de 14,2%, perda de 4,3 pontos devido à desalavancagem operacional.
Na unidade de calçados e bolsas, a receita bruta caiu 12,5%, para R$ 966 milhões, com aumento apenas na venda das lojas próprias, mas queda no on-line, nas lojas de franqueados e nas multimarcas.
No “sell out”, a venda de franquias caiu 21% e a de multimarcas, 20,6%
Na unidade de básicos, sobre a marca Hering, que está em reestruturação, a empresa teve recuo de estoque de 214 dias há um ano para 140 dias, e a meta é 130 dias. Segundo o CEO, no processo de recuo de estoque, já houve falta de itens de inverno na Hering, como agasalhos, e acertar o nível é um desafio.
A empresa está tentando melhorar rentabilidade da Hering, e ainda fazer a marca voltar a gerar caixa, por meio de uma redução de estoques e por uma melhora do capital empregado. No passado, a marca teve um desvio de foco de público, atendendo classes B2 e C, e isso foi revisto. Neste segundo trimestre ainda houve desafios para a recuperação de crescimento e rentabilidade, disse Birman, mas a evolução dos indicadores operacionais e financeiros mostra avanços no processo de transformação do negócio.
Se por um lado houve queda de 12,1% na receita bruta de marcas continuadas, a Hering atingiu uma geração de caixa (pós investimentos) de R$ 97 milhões versus um consumo de R$ 76 milhões no segundo trimestre de 2025.