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Befit avança no mercado fitness com uso de IA e estratégia internacional | Empresas

Cofundadores da Bift, Claret Sabioni (à esq.) e Carlos Terceiro — Foto:  Danieli Holanda/Divulgação

Cofundadores da Bift, Claret Sabioni (à esq.) e Carlos Terceiro — Foto: Danieli Holanda/Divulgação

Carlos Terceiro passou boa parte dos 20 aos 30 anos sem dar muita atenção à saúde. Como acontece com a maioria dos empreendedores, quase toda sua energia estava concentrada na Mobills, fintech que ajudara a criar em 2014, quando estudava programação. Em 2021, depois de a startup ser adquirida pela corretora Toro Investimentos, do grupo Santander, ele passou de fundador a executivo, e encontrou tempo suficiente para os treinos de musculação. O que ele não sabia é que isso o levaria de volta ao empreendedorismo, com a criação de mais um negócio — a Befit.

“Decidi repetir a fórmula”, diz Terceiro. Da mesma maneira que o desejo de controlar o orçamento doméstico o levou a criar um aplicativo de finanças pessoais, a rotina puxada na academia o convenceu a idealizar um app para montar treinos personalizados com inteligência artificial.

“A proposta de valor não é substituir o ‘personal trainer’, mas oferecer uma opção a quem não pode pagar esse profissional e se sente perdido na academia.”

Lançada em janeiro de 2025, a Befit encerrou o primeiro ano de operação com 24 mil assinantes, duas vezes e meia o volume inicialmente previsto, de 10 mil usuários. Nos últimos seis meses, até meados de junho, o ritmo se acelerou ainda mais, com um aumento de 295% da base, que atualmente reúne 95 mil assinantes.

“O mercado fitness é gigantesco no Brasil, com uma competição pulverizada no segmento de aplicativos. Existem apps orientados a usuários que querem treinar fora da academia, a quem já tem nível avançado, aos adeptos de calistenia… Em muitos, a IA foi acrescentada mais tarde, como um ‘puxadinho’. Nós contamos com inteligência artificial desde o princípio”, diz Claret Sabioni, cofundador e CEO.

O aplicativo levou sete meses para ficar pronto. A ênfase inicial foi na chamada anamnese, que reúne o histórico de saúde e os hábitos do indivíduo. Foi com base nesse conjunto de dados que a IA foi treinada, sob uma estratégia de hiperpersonalização. Ou seja, quanto mais informações estão disponíveis, maior a capacidade da inteligência artificial de planejar exercícios sob medida.

A Befit não quer associar sua marca exclusivamente à IA. As rotinas de exercícios foram criadas por profissionais de educação física, não pela máquina, destacam os sócios. Outro ponto que querem evitar é a noção de que o aplicativo é destinado exclusivamente a marombeiros. “Estudos de qualidade mostram que é importante envelhecer com um nível saudável de músculo”, diz Sabioni. “É uma questão de longevidade, não de buscar o corpo idealizado do fisiculturismo.”

O aplicativo foi lançado simultaneamente em três idiomas: português, inglês e espanhol. Mais três — alemão, francês e italiano — estarão disponíveis nos próximos meses. A estratégia internacional tem se mostrado bem-sucedida. De todos os usuários, 35% estavam fora do Brasil, segundo dados de maio, com destaque para os Estados Unidos, onde se concentra metade da base internacional. A receita proveniente desses países, cobrada em dólar, representa quase metade do faturamento total (49%) e anteriormente chegou a ser a maior fonte de recursos.

O movimento de internacionalização é beneficiado pelo fato de que a atividade física segue princípios e métodos comuns à maioria dos países, o que dispensa muita programação adicional para adaptá-lo. A experiência também tem ajudado a conhecer melhor os hábitos dos clientes, que variam de país para país, e a calibrar a estratégia com base nesse comportamento.

“Para o americano médio, por exemplo, contratar um ‘personal trainer’ é quase impossível [devido ao alto custo], o que gera mais engajamento [com o aplicativo]”, diz Terceiro, que além de cofundador é líder de produto da Befit. Por isso, o tempo médio de treino por usuário é superior ao do Brasil, assim como a taxa de renovação das assinaturas. Já o brasileiro está mais sujeito a seguir os treinos que vê nas redes sociais e tem mais resistência a pagar ou renovar um serviço individualizado, mesmo quando obtém resultados consistentes.

“O modelo nos mostrou que se o usuário treina só uma vez no intervalo de duas semanas, a probabilidade de que continue a fazer exercícios nos seis meses seguintes é de apenas 8%. Com quatro vezes, as chances aumentam para 45%”, diz Sabioni, cuja carreira inclui passagens pela Wildlife Studios, de jogos digitais, e a imobiliária Quinto Andar, dois “unicórnios” brasileiros.

Além da rotina de treino, a Befit está usando IA para aumentar a retenção de clientes. Ao se detectar que o assinante está inativo, tem início uma série de procedimentos para convencê-lo a voltar, que vão de notificações por e-mail e celular e até prêmios. O objetivo é não reproduzir um ritual pelo qual muitas pessoas já passaram, principalmente no início do ano — matricular-se na academia sob a promessa de finalmente entrar em forma e nunca mais aparecer.



Valor Econômico

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