A poucas horas do início do show de Shakira na Praia de Copacabana, na zona sul do Rio, fãs da cantora ocupam a orla desde a manhã deste sábado (2). Vindos de diferentes regiões do país e do exterior, o público se concentra em frente ao palco montado na areia, com bandeiras, camisetas temáticas e referências à trajetória da artista colombiana, que já realizou mais de 40 shows no país.
A mobilização da chamada “alcateia” brasileira, como os fãs se autodenominam, começou dias antes do evento. Páginas dedicadas à artista organizaram grupos de whatsapp, sorteios, encontros e “esquentas” para reunir o público na praia, disseram fãs à reportagem na orla.
Muitos deles chegaram ainda pela manhã para garantir um lugar próximo ao palco. “A expectativa é maravilhosa. A energia de trazer uma artista tão incrível, que também conversa com a nossa regionalidade e até fala português, vai ser algo inesquecível”, disse John Garcia, de 31 anos, que viajou de Belém do Pará exclusivamente para assistir à apresentação.
Garcia disse que chegou ao Rio na véspera do show e decidiu ir cedo para a praia para “sentir a energia” do evento. Para o fã, a conexão da cantora com o público brasileiro é um diferencial. “Ela é latina, parece que é daqui. Essa proximidade cria uma conexão que poucos artistas conseguem. Vai ser uma explosão, o Rio vai ficar pequeno.”
O ensaio realizado na sexta-feira (1º) deu pistas do que o público pode esperar do show tido como histórico pela artista. Na passagem de som, Shakira dividiu o palco com ícones da música brasileira, como Maria Bethânia e Caetano Veloso, além de ritmistas da escola de samba Unidos da Tijuca. Um dos momentos que mais chamaram a atenção foi a escolha da música “O que é, o que é?”, clássico de Gonzaguinha.
Para os cariocas, o sentimento também é de emoção. Fã de Shakira há mais de duas décadas, Patrícia Pereira, de 53 anos, destacou o vínculo afetivo com a artista. “Eu espero muita alegria, muito riso, até choro. Ela é uma artista completa, se entrega até no idioma. Pra mim, ela representa felicidade.” Patrícia entende que os clássicos da artista não podem faltar na apresentação hoje, incluindo hits como “Hips Don’t Lie” (2005) e ‘Whenever, Wherever” (2001).
Entre os estrangeiros, a americana Ashley Wilson, de 44 anos, também marca presença. Vinda dos Estados Unidos, ela aproveitou a viagem ao Brasil para assistir à apresentação e se juntar aos fãs na orla de Copacabana.
“Eu vi Shakira outras vezes, mas assistir a um show dela no Brasil é completamente diferente. A energia do público aqui é única”, afirmou Ashley .
Ambulantes também fazem a festa
A movimentação intensa também impulsiona o comércio em Copacabana. A vendedora Elaine Bernardo, de 47 anos, aposta no público para alavancar as vendas no fim de semana. Ela vende camisetas temáticas (entre R$ 85 e R$ 130), leques (de R$ 40 a R$ 50) e bolsas (entre R$ 50 e R$ 80). A expectativa da comerciante é faturar cerca de R$ 15 mil até o domingo (3), montante impulsionado pelo fluxo de fãs antes, durante e após o show. “Hoje comecei às 8h e só vou parar amanhã [domingo]. Estou aqui com o propósito de vender.”
Segundo estudo da Prefeitura do Rio, elaborado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (SMDE) e pela Riotur, o “Todo Mundo no Rio 2026 – Shakira” tem potencial de movimentar R$ 800 milhões na economia carioca, considerando os gastos do público.
Ainda segundo o estudo, do total de dois milhões de pessoas aguardadas na apresentação, a projeção é de que 13,9% sejam de turistas nacionais (278 mil), 1,6% de turistas internacionais (32 mil) e 84,6% de cariocas e moradores da Região Metropolitana do Rio (1,7 milhão).