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Putin reconhece escassez de combustíveis na Rússia e força-tarefa é criada para garantir abastecimento | Mundo

 — Foto: Dmitri Lovetsky/Pool via REUTERS/Foto de Arquivo

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, reconheceu neste domingo que problemas no fornecimento de combustíveis provocaram escassez em regiões do país e afirmou que uma força-tarefa está trabalhando para garantir quantidades suficientes de combustível em todo o território russo.

Ao discursar em uma reunião com autoridades de alto escalão sobre abastecimento e distribuição de combustíveis, Putin disse que a Rússia precisa minimizar os efeitos dos ataques de drones ucranianos contra instalações petrolíferas, que estariam relacionados à escassez.

Ele pediu medidas para assegurar o fornecimento ao setor agrícola e afirmou que um veto às exportações de diesel está sendo considerado.

“Todos vocês sabem muito bem que os problemas para motoristas e empresas persistem”, disse Putin durante a reunião, segundo relatos publicados por agências de notícias russas. “Infelizmente, ainda há filas nos postos de gasolina.”

Ele acrescentou: “Temos de reduzir ao mínimo o impacto dos ataques terroristas contra nossos alvos civis e nossa infraestrutura.”

A Ucrânia intensificou os ataques de médio e longo alcance contra alvos industriais na Rússia e em territórios ucranianos ocupados pelos russos, concentrando-se principalmente no setor de petróleo.

Putin afirmou que as reservas de gasolina estão sendo utilizadas e atualmente somam 1,7 milhão de toneladas métricas. Segundo ele, a produção em julho deverá superar os níveis registrados em junho. O presidente também disse que a proibição das exportações de diesel, discutida há algum tempo, continua em análise.

“Está sendo considerada a necessidade de introduzir uma proibição total das exportações de diesel”, afirmou aos participantes da reunião.

Mais cedo, o vice-primeiro-ministro russo, Alexander Novak, havia dito que não há necessidade de a Rússia proibir as exportações de diesel, informou a agência de notícias Interfax.

Putin disse que uma força-tarefa dedicada ao abastecimento de combustíveis está trabalhando 24 horas por dia e acrescentou que a situação exige “medidas sistêmicas compatíveis com a escala dos desafios atuais” para ampliar a oferta e manter os preços em níveis razoáveis.

Segundo ele, garantir o abastecimento do setor agrícola é particularmente importante. “Precisamos fazer todos os esforços para assegurar que todos os cronogramas sazonais de fornecimento de combustível sejam cumpridos para as empresas do setor agroindustrial, porque a colheita depende disso”, afirmou Putin.

Depois, em um discurso na TV estatal, o líder russo afirmou que o país mantém o objetivo de conquistar integralmente quatro regiões da Ucrânia, rejeitando o que descreveu como uma nova proposta ucraniana para reduzir as hostilidades na guerra.

Na entrevista, Putin disse que a Ucrânia propôs uma suspensão mútua dos ataques de longo alcance como um passo rumo à paz. No entanto, segundo ele, Moscou interpreta a proposta como uma tentativa de aliviar a pressão sobre as forças de Kiev ao longo da linha de frente de 1.250 quilômetros entre os dois países e não pretende se deixar distrair por ela.

“Está claro por que essa proposta está sendo feita, porque nossos contra-ataques em profundidade no território ucraniano são muito mais fortes, têm maior impacto e, francamente, são mais destrutivos”, afirmou Putin.

“Diante da catastrófica escassez de pessoal, as Forças Armadas da Ucrânia aparentemente acreditam que isso pode ser sua salvação. Mas salvar o regime de Kiev não faz parte dos nossos planos.”

O gabinete do presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, não respondeu imediatamente a um pedido de comentário enviado durante a madrugada na Ucrânia.

Neste mês, Zelenskiy publicou uma carta aberta a Putin propondo uma reunião presencial entre os dois líderes, proposta que foi rejeitada pelo presidente russo.

Na entrevista, Putin afirmou que os ataques ucranianos têm como objetivo “desviar nossa atenção e nossas forças da conquista dos principais objetivos: a completa libertação de Donbass e Novorossiya”, em referência às duas regiões de Donbass e às regiões vizinhas de Zaporizhzhia e Kherson.

Putin insiste há muito tempo que a Ucrânia deve abandonar as posições que ainda controla na região de Donetsk, em Donbass, como condição fundamental para qualquer acordo de paz. Sete meses após a invasão de 2022, a Rússia anexou as quatro regiões — Donetsk e Luhansk, em Donbass, além de Kherson e Zaporizhzhia, embora controle apenas parte destas últimas.

— Foto: Dmitri Lovetsky/Pool via REUTERS/Foto de Arquivo



Valor Econômico

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