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Juros futuros têm leve alta em dia volátil com quadro eleitoral no foco | Finanças

Juros futuros têm leve alta em dia volátil com quadro eleitoral no foco | Finanças

Os juros futuros fecharam em leve alta nesta quinta-feira (18), após um pregão de volatilidade elevada, em que os investidores repercutiram nos preços da curva a termo sinais do Banco Central acerca dos próximos passos da política monetária, mas, principalmente, o noticiário político e suas influências para o processo eleitoral de 2026.

Se, no começo do dia, a pesquisa Bloomberg/AtlasIntel desencadeou um forte mau humor diante de resultados favoráveis ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, comentários do senador Ciro Nogueira (PP-PI) no começo da tarde renovaram as esperanças acerca de uma possível candidatura à Presidência do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2027 subiu de 13,825%, do ajuste anterior, para 13,86%; a do DI para janeiro de 2029 teve leve alta de 13,33% a 13,345% e a do DI para janeiro de 2031 oscilou de 13,63% para 13,635%.

Com os resultados da última pesquisa sobre cenários eleitorais da Bloomberg/AtlasIntel em mãos, o mercado desenhava um pregão de forte aversão a risco, e as taxas chegaram a bater os maiores níveis dos últimos meses nos vértices de médio e longo prazo da curva a termo. O levantamento mostrou que o presidente Lula acumula mais intenções de voto do que todos os possíveis candidatos da direita em segundo turno, o que minou ainda mais a esperança dos investidores em ver uma mudança na condução da política econômica a partir de 2027.

O mau humor se esvaiu com as declarações de Ciro Nogueira, senador que é uma das principais lideranças do centrão, em entrevista exclusiva ao Valor. Segundo ele, uma possível candidatura de Tarcísio “não é um projeto enterrado” e vai depender da viabilidade eleitoral do também senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

As declarações trouxeram a impressão entre os agentes do mercado de que não há definição sobre o nome de Flávio Bolsonaro, e a classe política ainda avalia a viabilidade da sua candidatura. “Se ficar claro, em março, que o Flávio vai perder a eleição, o [ex-presidente Jair] Bolsonaro não vai arriscar”, disse Nogueira.

Ainda que o noticiário político tenha novamente dominado as mesas de operação, as perspectivas para a política monetária do BC também motivaram movimentos do mercado neste pregão. Divulgado pela manhã, o Relatório de Política Monetária (RPM) manteve a comunicação mais conservadora da autoridade monetária e, ao mostrar a projeção de inflação para o horizonte relevante da reunião de janeiro do Copom (terceiro trimestre de 2027) em 3,2%, sinalizou por uma chance ainda menor de que um corte da taxa Selic ocorrerá já no mês que vem, conforme a visão do mercado.

“A projeção estagnada no primeiro, segundo e terceiro trimestre de 2027 em 3.2% complica ainda mais a vida do ‘call’ de janeiro”, diz Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos. “No todo é um RPM que aumenta bastante a barra para [o corte em] janeiro. Para cortar em janeiro, me parece necessário uma melhora de cenário”, diz ela.

O temor de uma política monetária restritiva por mais tempo arrefeceu durante a coletiva de apresentação do RPM, após o presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmar que “não há seta nem porta fechada” para qualquer decisão nas próximas reuniões do Copom.

Diante dos sinais contrários dados no RPM e por Galípolo, o mercado de opções digitais de Copom manteve a probabilidade de que os juros básicos se mantenham em 15% no mês que vem em 65%. Durante a manhã, esse percentual chegou a tocar os 75% e, após as falas de Galípolo, recuou momentaneamente a 60%.



Valor Econômico

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